quinta-feira, 15 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
R E L A T Ó R I O – TP 1 - 11. 10. 2009

O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer (Albert Einstein)
R E L A T Ó R I O – TP 1 - 11. 10. 2009
Linguagem e Cultura
Linguagem e Cultura
O objetivo da escola, no que diz respeito à língua, é formar cidadãos capazes de se exprimir de modo adequado e competente, oralmente e por escrito, para que possam se inserir de pleno direito na sociedade e ajudar na construção e na transformação dessa sociedade.
(Marcos Bagno)
Cada encontro do Gestar II tem tido um significado único para nós e este encontro não foi diferente, apesar do cansaço visível dos cursistas, após uma semana intensa de trabalho. O encontro foi produtivo e gratificante e foi o momento propício para discutir e rever questões sobre as variantes linguísticas, dialetos e registros no processo ensino aprendizagem.
Discutir, refletir e ampliar nossos conhecimentos sobre variantes linguísticas é sempre bem-vindo no sentido de buscar formas cada vez mais significativas para desfazer equívocos e produzir aprendizagem mais eficiente em nossos alunos.
Iniciamos o encontro com a reflexão da mensagem “A Montanha” estabelecendo um paralelo com o Gestar. Ao escalar, pois, uma montanha precisamos estar com disposição e equipados de todas as ferramentas necessárias para garantir nossa segurança. No Gestar não é diferente, a TP é nossa ferramenta e traz uma infinidade de propostas e possibilidades de uso.
A comparação é válida à medida que em ambos o caminho para atingir o objetivo é feito passo a passo. No Gestar seguimos a nossa escalada silenciosa e, de encontro em encontro, com muito esforço e determinação estamos reescrevendo a educação em nossa escola, em nosso município. Os resultados são gradativos, porém estão chegando pouco a pouco quase que imperceptivelmente aos olhos dos que de fora olham com indiferença.
O ensino da Língua Portuguesa necessita de atenção especial. O objetivo do Gestar é oferecer as mais diversas ferramentas e mecanismos para que, de fato, possamos alcançar a meta do ensino da Língua Portuguesa, que é proporcionar ao aluno o domínio da variedade linguística padrão. E não se chega a esse objetivo sem trilhar vários caminhos e um deles é o caminho das variedades linguísticas, pois revelam a história, as práticas culturais. É preciso banir qualquer tipo de preconceito linguístico e trabalhar a língua em sua multiplicidade de uso, em todas as suas possibilidades.
A condição básica para se aprender este tópico “Variação linguística no português brasileiro” reside muito mais no papel da escola, na sua “coragem” de, sem perder de vista o objetivo prioritário quanto ao ensino de língua materna, desenvolver a competência comunicativa dos usuários da língua – falante, escritor / ouvinte, leitor – nas diversas situações de uso e abrir a discussão sobre a pluralidade de discursos e sobre uma das dimensões dessa pluralidade: as variedades linguísticas.
Para iniciarmos os trabalhos dessa oficina, propus a seguinte reflexão:
§Estou por acaso inserido no grupo daqueles que desejam regras gramaticais nas aulas de português?
§Estou valorizando demais a norma culta sem dar oportunidade às variações linguísticas existentes na nossa língua?
§ Respeito meu aluno, sua cultura, seu dialeto, sua realidade?
§Estou possibilitando aos meus alunos o acesso à norma culta de forma reflexiva?
Após esse momento, iniciamos nossas discussões teóricas acerca do tema em questão:
Unidade 1 - Variantes linguísticas: dialetos e registros.
Unidade 2 - Variantes linguísticas: desfazendo equívocos.
“A língua é, ao mesmo tempo, a melhor expressão da cultura e um forte elemento de sua transformação. A língua tem o mesmo caráter dinâmico da cultura.”
Apresentei os slides com os pontos mais importantes da TP e juntos dialogamos com os teóricos de modo a estabelecer uma relação entre a teoria e a prática que estamos utilizando em sala de aula. Alguns professores se manifestaram relatando situações de vivência de preconceito linguístico entre os próprios alunos. O primeiro passo que o professor poderá dar para banir esse tipo de preconceito é transformando o espaço de ensino de língua em um espaço de reflexão e reconhecimento dos diversos dialetos por meio de textos variados. Para fortalecer e ilustrar nossas discussões, apresentei os vídeos: Quixeramobim, Chico Bento no Shopping, Preconceito Linguístico.
Após as discussões, os professores relataram suas experiências com aplicação do Avançando na Prática e as atividades da AA.A professora Luciene relatou uma experiência co
Alguns cursistas não conseguiram aplicar essa dinâmica devido ao fato de estarem finalizando ainda atividades da TP anterior e outros estarem aplicando as provas bimestrais. Houve também um espaço para os relatos das atividades da TP6 que ficaram pendentes e aproveitei esse momento para enfatizar que os assuntos abordados ao longo das TPs precisam ser amarrados dentro de uma sequência didática para que não fiquem fragmentados. É possível trabalhar planejamento, produção, revisão e variedades linguísticas dentro de uma mesma atividade, desde que seja bem planejado pelo professor.
Na sequência, propus aos cursistas a leitura dramatizada dos textos: Retrato de Velho, Ciúme, O Bem Amado, Conta de Novo, O Caso do Vestido, Sexa. O resultado do trabalho foi positivo, pois os professores puderam vivenciar na prática uma proposta de trabalho a ser realizada com os alunos, para que possam perceber os dialetos textualmente e se posicionar do ponto de vista de diversos personagens, refletir sobre os diversos dialetos. Cada grupo expôs uma análise do texto dramatizado apontando sobretudo os aspectos das variedades linguísticas.
Para essa oficina preparei várias atividades, mas infelizmente não houve tempo para realizar todas. Havia preparado uma proposta de produção de texto explorando os vários dialetos, uma atividade com a música a Triste Partida. Porém, expliquei como realizá-la e sugeri aos professores como atividade para os alunos.

No final da oficina conversei sobre o andamento dos projetos e sobre o próximo encontro, fizemos alguns combinados e propus a avaliação da oficina por meio da dinâmica das cores, na qual cada professor deveria responder o seguinte questionamento: -De que cor você pintaria o dia de hoje? E responder por meio de um gênero. E assim, finalizamos nosso encontro.
sábado, 3 de outubro de 2009
Relatório Reflexivo -Reescrevendo a escrita na escola: A prática de revisão e reescrita textual

Reescrevendo a escrita na escola: A prática de revisão e reescrita textual
Planejamento+ Escrita+
Planejamento+ Escrita+
Revisão +
Edição
Revisão +
Edição Relendo a leitura na escola: A formação de leitores
O significado do trabalho com a leitura, planejamento, produção e reestruturação de textos na escola: a (re) construção do sujeito-autor.
A oficina do Gestar, realizada no dia 26 de setembro, ocorreu de forma muito especial, dinâmica e reflexiva. Tratamos de assuntos extremamente relevantes, como a produção textual e a formação de leitores, assuntos estes que têm sido o foco de discussão de muitos professores e estudiosos. Essa oficina foi planejada tendo como ponto de chegada:
- apresentar elementos de reflexão e estratégias relacionados ao planejamento de textos.- Identificar estratégias que podem ser utilizadas para o planejamento e a escrita de textos.
- Desenvolver atividades de planejamento e escrita, considerando a construção e revisão textual.- Identificar parâmetros de avaliação e ações necessárias ao desenvolvimento da etapa de revisão.- Identificar os elementos necessários ao desenvolvimento da etapa de edição.- Produzir atividades de revisão e de edição da escrita para seus alunos.
- Desenvolver práticas de leitura eficientes para o trabalho com o letramento literário.
Iniciamos a oficina com um momento motivacional por meio da dinâmica “O livro da vida”, no qual cada cursista foi desafiado a refletir sobre sua própria vida a partir do seguinte questionamento: “Se você tivesse o poder de escrever uma página no livro de sua vida, o que escreveria?” Ao som da música Paciência, de Lenine, os professores refletiram, escreveram e socializaram seus projetos de vida futuros. Foi um momento especial, pois refletimos também sobre a seguinte indagação: “O que estou fazendo por meus alunos e o que eu posso fazer melhor ainda?”
Após este momento, iniciamos nossos trabalhos sobre produção textual, planejamento, revisão e edição. O nosso primeiro assunto foi o planejamento e realizamos a dinâmica do “Camelo” para que os professores pudessem vivenciar e refletir sobre a necessidade do planejamento.
É importante lembrar, no entanto, que um bom planejamento possibilita o desenvolvimento e o aprendizado do aluno em direção à sua autonomia. Ficou claro nas colocações dos professores que o desenvolvimento de atividade que propicie ao aluno planejar a escrita dos seus textos ainda não é uma prática efetiva em sala de aula. Enfatizei a necessidade de se fazer um trabalho permanente que possibilite ao aluno passar por todas as etapas necessárias, para que se efetive uma boa produção textual e perceber que não há uma linearidade, pois estão interligadas. Podemos ensinar nossos alunos que durante a escrita podemos planejar novamente e revisar o que escrevemos, dialogando com o texto, fazendo perguntas ao seu texto “O que eu disse até agora? O que estou tentando dizer? Será que eu gosto do que escrevi? O que é tão bom aqui, que eu possa entender? O que não é bom que eu possa arrumar? Como meu texto soa? Como parece? O que meu leitor ou leitora pensará, quando ler isto? Que indagações poderão fazer? O que observarão? Sentirão? Pensarão? E o que farei a seguir?”
Apresentei os slides e abri uma discussão sobre a importância do ato de reestruturação de textos. Essa prática é tão fundamental, pois provoca o diálogo do sujeito-autor com o seu produto-criado, possibilitando um relacionamento mais interativo com seu próprio texto (confrontamento, aguçamento e exclusão de enunciados). O aluno sai, ao reescrever, do estágio emocional (inspirativo), que gera a primeira escrita, e passa ao estágio de maior racionalização sobre o que foi materializado. Um dos motivos importantes para a reestruturação de textos acontecer é o fato de que só aprendemos a escrever quando escrevemos, assim como só aprendemos a ler quando lemos, segundo reforça Rocha (2002: 144-145), quando afirma que “o indivíduo só passará a dominar a escrita se houver uma prática efetiva desta atividade”.
O aluno, no momento que recebe seu texto para refazer, antes de assumir a posição de reescritor, assume a de sujeito-leitor de sua própria produção e, assim, se configuram os vários papéis e posições que ele vai assumindo diante de seu próprio texto.
LEITURA, LITERATURA E FORMAÇÃO DE LEITORES
...”ninguém se torna leitor por um ato de obediência, ninguém nasce gostando de leitura. A influência dos adultos como referência é bastante importante na medida em que são vistos lendo ou escrevendo.”
Kriegl
Após essas discussões, passamos para o segundo momento - unidade 24 – “Literatura para adolescentes”. Pedi que cada professor relatasse sobre as práticas que utilizam para desenvolver leitura literária em sala de aula e posteriormente contrapor com a teoria e analisar quais são consideradas adequadas e inadequadas para, a partir de então, rever e buscar formas mais inovadoras para desenvolver o trabalho com a leitura.
Uma grande parcela de professores de Língua Portuguesa enfrenta dificuldades para desenvolver os hábitos da leitura em seus alunos. Tenho pesquisado constantemente sobre este tema - leitura e formação de leitores - e sua importância decisiva para o exercício efetivo da cidadania. A escola é um dos espaços privilegiados para a formação de leitores. Todavia, a escola não vem atendendo, quer às expectativas, quer às demandas sociais atuais. Apesar da multiplicidade de fatores envolvidos, as evidências tomadas para justificar essa situação quase sempre transitam numa via de relevância indiscutível: a da não proficiência leitora. No modelo vigente de ensino, as relações que estruturam as práticas pedagógicas definem a sala de aula como um espaço singular para a constituição de leitores.
Para teorizar nossas discussões, pautamo-nos nas leituras sugeridas e nos textos da TP. Após o estudo da TP em grupo, abrimos uma calorosa discussão que teve um envolvimento e a participação bastante efetiva de todos os cursistas. Enfatizamos a seção 3 - Existem boas formas de explorar a literatura na escola? Colocamos em pauta alguns questionamentos:
Hora de refletir...
Ø Qual o valor da literatura?
Ø Qual é a sua função social?
Ø Vocês concordam com a crença de que literatura não se ensina, basta a simples leitura das obras, como se faz ordinariamente fora da escola?
Ø Como vocês selecionam os textos literários?
Ø Como construir uma comunidade de leitores?
Ø Por que há leitores que leem com prazer?
Ø O que devemos fazer para que a leitura se torne um hábito para toda a vida ou, melhor ainda, uma paixão?
O pressuposto de que para formar leitores é preciso constituir-se leitor nos guiou na direção de uma experiência que passou a integrar a dinâmica de trabalho. O Gestar nos abre novas possibilidades e novos voos orientados pelo desejo comum de promover a leitura e a formação de leitores.
Quando movido por curiosidade, pelo desejo de crescer, o homem se renova constantemente, tornando-se cada dia mais apto a estar no mundo, capaz de compreender até as entrelinhas daquilo que ouve e vê, do sistema em que está inserido. Assim, tem ampliada sua visão de mundo e seu horizonte de expectativas. Desse modo, a leitura se configura como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem.
Há entretanto, uma condição para que a leitura seja de fato prazerosa e válida: o desejo do leitor. Como afirma Daniel Pennac, "o verbo ler não suporta o imperativo". Quando transformada em obrigação, a leitura se resume a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, Pennac prescreve alguns direitos do leitor, como o de escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler. Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um ímã que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.
É preciso ficar claro entre os profissionais da educação que a leitura como via de inclusão social e de melhoria para a sua formação ocorre em um processo de construção e reconstrução do conhecimento em espaços de disseminação de leitura como a escola e a biblioteca. Bibliotecário e professor são elementos de mediação das fontes de informação. Muitos professores relataram a precariedade das bibliotecas e até mesmo escolas que ainda não dispõem de uma biblioteca. É preciso urgentemente intensificar as ações de incentivo à leitura.
Os resultados evidenciam: a necessidade de planejamento da leitura para promoção do resgate da cidadania devolve a auto-estima dos nossos educandos e desenvolve um olhar crítico, possibilitando formar uma sociedade consciente. Para falar em Educação como instrumento de ação reflexiva, é preciso falar da importância da leitura na Educação. Importante porque a leitura como instrumento proporciona melhoria da condição social e humana. Então observar, analisar e procurar entender o mundo e interagir têm, através da leitura, um caminho para a promoção do desenvolvimento de competências na medida em que os conhecimentos vão sendo absorvidos e se amplia gradativamente a produção cultural da humanidade.
Realizamos uma dinâmica de leitura que proporcionou um momento de descontração entre os cursistas. O resultado foi fantástico e todos puderam experimentar e vivenciar na prática uma das possíveis formas de instigar e motivar o aluno para a leitura.
Apresentei aos cursistas os gráficos elaborados a partir dos resultados e mapeamento da Avaliação Diagnóstica do Gestar aplicada na semana anterior. E por fim, fizemos um momento de avaliação da TP 6, e da oficina e cada cursista produziu um texto estabelecendo uma relação com um dos provérbios apresentados por meio do gênero de sua escolha. Finalizei com a mensagem “A Cachoeira” e nos despedimos com uma sensação de que os objetivos propostos foram plenamente atingidos.
Planejamento+ Escrita+
Planejamento+ Escrita+
Revisão +
Edição
Revisão +
Edição Relendo a leitura na escola: A formação de leitores
O significado do trabalho com a leitura, planejamento, produção e reestruturação de textos na escola: a (re) construção do sujeito-autor.
A oficina do Gestar, realizada no dia 26 de setembro, ocorreu de forma muito especial, dinâmica e reflexiva. Tratamos de assuntos extremamente relevantes, como a produção textual e a formação de leitores, assuntos estes que têm sido o foco de discussão de muitos professores e estudiosos. Essa oficina foi planejada tendo como ponto de chegada:
- apresentar elementos de reflexão e estratégias relacionados ao planejamento de textos.- Identificar estratégias que podem ser utilizadas para o planejamento e a escrita de textos.
- Desenvolver atividades de planejamento e escrita, considerando a construção e revisão textual.- Identificar parâmetros de avaliação e ações necessárias ao desenvolvimento da etapa de revisão.- Identificar os elementos necessários ao desenvolvimento da etapa de edição.- Produzir atividades de revisão e de edição da escrita para seus alunos.
- Desenvolver práticas de leitura eficientes para o trabalho com o letramento literário.
Iniciamos a oficina com um momento motivacional por meio da dinâmica “O livro da vida”, no qual cada cursista foi desafiado a refletir sobre sua própria vida a partir do seguinte questionamento: “Se você tivesse o poder de escrever uma página no livro de sua vida, o que escreveria?” Ao som da música Paciência, de Lenine, os professores refletiram, escreveram e socializaram seus projetos de vida futuros. Foi um momento especial, pois refletimos também sobre a seguinte indagação: “O que estou fazendo por meus alunos e o que eu posso fazer melhor ainda?”
Após este momento, iniciamos nossos trabalhos sobre produção textual, planejamento, revisão e edição. O nosso primeiro assunto foi o planejamento e realizamos a dinâmica do “Camelo” para que os professores pudessem vivenciar e refletir sobre a necessidade do planejamento.
É importante lembrar, no entanto, que um bom planejamento possibilita o desenvolvimento e o aprendizado do aluno em direção à sua autonomia. Ficou claro nas colocações dos professores que o desenvolvimento de atividade que propicie ao aluno planejar a escrita dos seus textos ainda não é uma prática efetiva em sala de aula. Enfatizei a necessidade de se fazer um trabalho permanente que possibilite ao aluno passar por todas as etapas necessárias, para que se efetive uma boa produção textual e perceber que não há uma linearidade, pois estão interligadas. Podemos ensinar nossos alunos que durante a escrita podemos planejar novamente e revisar o que escrevemos, dialogando com o texto, fazendo perguntas ao seu texto “O que eu disse até agora? O que estou tentando dizer? Será que eu gosto do que escrevi? O que é tão bom aqui, que eu possa entender? O que não é bom que eu possa arrumar? Como meu texto soa? Como parece? O que meu leitor ou leitora pensará, quando ler isto? Que indagações poderão fazer? O que observarão? Sentirão? Pensarão? E o que farei a seguir?”
Apresentei os slides e abri uma discussão sobre a importância do ato de reestruturação de textos. Essa prática é tão fundamental, pois provoca o diálogo do sujeito-autor com o seu produto-criado, possibilitando um relacionamento mais interativo com seu próprio texto (confrontamento, aguçamento e exclusão de enunciados). O aluno sai, ao reescrever, do estágio emocional (inspirativo), que gera a primeira escrita, e passa ao estágio de maior racionalização sobre o que foi materializado. Um dos motivos importantes para a reestruturação de textos acontecer é o fato de que só aprendemos a escrever quando escrevemos, assim como só aprendemos a ler quando lemos, segundo reforça Rocha (2002: 144-145), quando afirma que “o indivíduo só passará a dominar a escrita se houver uma prática efetiva desta atividade”.
O aluno, no momento que recebe seu texto para refazer, antes de assumir a posição de reescritor, assume a de sujeito-leitor de sua própria produção e, assim, se configuram os vários papéis e posições que ele vai assumindo diante de seu próprio texto.
LEITURA, LITERATURA E FORMAÇÃO DE LEITORES
...”ninguém se torna leitor por um ato de obediência, ninguém nasce gostando de leitura. A influência dos adultos como referência é bastante importante na medida em que são vistos lendo ou escrevendo.”
Kriegl
Após essas discussões, passamos para o segundo momento - unidade 24 – “Literatura para adolescentes”. Pedi que cada professor relatasse sobre as práticas que utilizam para desenvolver leitura literária em sala de aula e posteriormente contrapor com a teoria e analisar quais são consideradas adequadas e inadequadas para, a partir de então, rever e buscar formas mais inovadoras para desenvolver o trabalho com a leitura.
Uma grande parcela de professores de Língua Portuguesa enfrenta dificuldades para desenvolver os hábitos da leitura em seus alunos. Tenho pesquisado constantemente sobre este tema - leitura e formação de leitores - e sua importância decisiva para o exercício efetivo da cidadania. A escola é um dos espaços privilegiados para a formação de leitores. Todavia, a escola não vem atendendo, quer às expectativas, quer às demandas sociais atuais. Apesar da multiplicidade de fatores envolvidos, as evidências tomadas para justificar essa situação quase sempre transitam numa via de relevância indiscutível: a da não proficiência leitora. No modelo vigente de ensino, as relações que estruturam as práticas pedagógicas definem a sala de aula como um espaço singular para a constituição de leitores.
Para teorizar nossas discussões, pautamo-nos nas leituras sugeridas e nos textos da TP. Após o estudo da TP em grupo, abrimos uma calorosa discussão que teve um envolvimento e a participação bastante efetiva de todos os cursistas. Enfatizamos a seção 3 - Existem boas formas de explorar a literatura na escola? Colocamos em pauta alguns questionamentos:
Hora de refletir...
Ø Qual o valor da literatura?
Ø Qual é a sua função social?
Ø Vocês concordam com a crença de que literatura não se ensina, basta a simples leitura das obras, como se faz ordinariamente fora da escola?
Ø Como vocês selecionam os textos literários?
Ø Como construir uma comunidade de leitores?
Ø Por que há leitores que leem com prazer?
Ø O que devemos fazer para que a leitura se torne um hábito para toda a vida ou, melhor ainda, uma paixão?
O pressuposto de que para formar leitores é preciso constituir-se leitor nos guiou na direção de uma experiência que passou a integrar a dinâmica de trabalho. O Gestar nos abre novas possibilidades e novos voos orientados pelo desejo comum de promover a leitura e a formação de leitores.
Quando movido por curiosidade, pelo desejo de crescer, o homem se renova constantemente, tornando-se cada dia mais apto a estar no mundo, capaz de compreender até as entrelinhas daquilo que ouve e vê, do sistema em que está inserido. Assim, tem ampliada sua visão de mundo e seu horizonte de expectativas. Desse modo, a leitura se configura como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem.
Há entretanto, uma condição para que a leitura seja de fato prazerosa e válida: o desejo do leitor. Como afirma Daniel Pennac, "o verbo ler não suporta o imperativo". Quando transformada em obrigação, a leitura se resume a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, Pennac prescreve alguns direitos do leitor, como o de escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler. Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um ímã que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.
É preciso ficar claro entre os profissionais da educação que a leitura como via de inclusão social e de melhoria para a sua formação ocorre em um processo de construção e reconstrução do conhecimento em espaços de disseminação de leitura como a escola e a biblioteca. Bibliotecário e professor são elementos de mediação das fontes de informação. Muitos professores relataram a precariedade das bibliotecas e até mesmo escolas que ainda não dispõem de uma biblioteca. É preciso urgentemente intensificar as ações de incentivo à leitura.
Os resultados evidenciam: a necessidade de planejamento da leitura para promoção do resgate da cidadania devolve a auto-estima dos nossos educandos e desenvolve um olhar crítico, possibilitando formar uma sociedade consciente. Para falar em Educação como instrumento de ação reflexiva, é preciso falar da importância da leitura na Educação. Importante porque a leitura como instrumento proporciona melhoria da condição social e humana. Então observar, analisar e procurar entender o mundo e interagir têm, através da leitura, um caminho para a promoção do desenvolvimento de competências na medida em que os conhecimentos vão sendo absorvidos e se amplia gradativamente a produção cultural da humanidade.
Realizamos uma dinâmica de leitura que proporcionou um momento de descontração entre os cursistas. O resultado foi fantástico e todos puderam experimentar e vivenciar na prática uma das possíveis formas de instigar e motivar o aluno para a leitura.
Apresentei aos cursistas os gráficos elaborados a partir dos resultados e mapeamento da Avaliação Diagnóstica do Gestar aplicada na semana anterior. E por fim, fizemos um momento de avaliação da TP 6, e da oficina e cada cursista produziu um texto estabelecendo uma relação com um dos provérbios apresentados por meio do gênero de sua escolha. Finalizei com a mensagem “A Cachoeira” e nos despedimos com uma sensação de que os objetivos propostos foram plenamente atingidos.
Relatório de atividade aplicada em sala de aula
Este relatório tem como objetivo descrever o procedimento usado na aplicação da atividade, realizada no 6º ano Azul da Escola Municipal Adélia Antônia de Almeida Seixas. A atividade escolhida trata da revisão e edição textual, encontrada na seção 1 da unidade 23, página 133 da TP6, que objetiva identificar parâmetros de avaliação e ações necessários ao desenvolvimento da revisão.
Para realizar essa atividade, usei os textos produzidos pelos alunos na atividade anterior (Avançando na Prática, seção 1, unidade 22, página 91 da TP6) que propunha a produção de um texto contando uma experiência inesquecível.
Iniciei o trabalho analisando os textos produzidos pelos alunos. Escolhi alguns trechos problemáticos, principalmente no que se refere à coesão e coerência, copiei-os no quadro para que eles identificassem o problema e tentassem resolvê-los. Passada essa etapa, devolvi os textos com algumas anotações e sugestões e, em seguida, propus a releitura e reescrita dos mesmos, marcando nova data para recolher os trabalhos. Foi um momento muito interessante e produtivo, pois houve a participação ativa dos alunos na realização das atividades propostas.
Enfim, aproveitei esse momento para refletir sobre a prática na sala de aula, e percebi a necessidade de mostrar aos meus alunos a importância de organizar e planejar antes de escrever e ainda que a revisão é uma etapa imprescindível na produção de um bom texto. Esse processo é contínuo que visa melhorar a leitura e escrita na sala aula.
Professora Cursista: Isabel Cistina Dias Romualdo
Escola Municipal Adélia Antônia de Almeida Seixas
domingo, 20 de setembro de 2009
Avaliar é dialogar, avaliar é olhar

Relatório da Oficina extra sobre avaliação
“O ato de ensinar implica uma ação comunicadora e recíproca.”
Avaliar é dialogar
Avaliar é olhar
“Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar de quem olha. [...]”
Leonardo Boff
No dia 19 de setembro, realizamos uma oficina extra, específica sobre avaliação, para consolidação e análise dos resultados. Os professores tiveram uma semana para aplicação das avaliações. E como havíamos previamente combinado, todos levaram para o encontro as provas dos alunos e juntos fizemos as correções e o mapeamento. Cada professor fez o mapeamento de sua turma com base nas orientações recebidas, de modo que, após este trabalho, cada um tinha em mãos a porcentagem de acertos e erros dos alunos em cada questão, a média da turma referência e principalmente dos descritores de maior e menor dificuldades dos alunos daquela turma específica.
Após este momento, cada cursista expôs o mapa de sua turma que recolhi para tabular os resultados por meio de gráficos. Informei aos cursistas que no próximo encontro levarei os gráficos com os dados já tabulados.
Em seguida, passamos então a refletir e discutir sobre quais passos a seguir diante dos resultados em mãos. Sabemos que só os resultados não bastam. Sabemos que há muito a melhorar, mas ao mesmo tempo constatamos que nosso trabalho já está produzindo frutos. Ressaltei para os cursistas que simplesmente saber se o aluno vai mal não basta. O que fazer diante dos resultados? Como devo interferir na realidade da sala de aula? Por onde devo começar? Como devo agir? Procurei ao longo de nossas discussões sobre a avaliação apontar caminhos e juntos discutimos as melhores formas de proceder.
Orientei os professores sobre alguns pontos pertinentes para o sucesso do processo avaliativo. Retornar com as provas corrigidas para sala de aula e trabalhar a prova com os alunos de modo que os alunos saibam o que erraram, por que erraram, e o que ainda precisam aprender. Enfatizei a importância de trabalhar os descritores em que os alunos foram críticos, com um novo olhar. Apresentei a mensagem “Educar o Olhar”, de Rubem Alves, e discutimos sobre o redirecionamento de nossa prática com base naquilo que não teve um resultado esperado.
Sabemos que o processo avaliativo parte do pressuposto de que se defrontar com dificuldades é inerente ao ato de aprender. Assim, o diagnóstico de dificuldades e facilidades deve ser compreendido, não como um veredicto que irá culpar ou absolver o aluno, mas sim como uma análise da situação escolar atual do aluno, em função das condições de ensino que estão sendo oferecidas. Nestes termos, são questões típicas de avaliações:
- Que problemas o aluno vem enfrentando?
- Por que não conseguiu alcançar determinados objetivos?
- Qual o processo de aprendizagem desenvolvido?
- Quais os resultados significativos produzidos pelo aluno?
Sabendo-se que o processo avaliativo é elemento indissociável do trabalho pedagógico na escola, como ajudar o aluno a desenvolver competências e habilidades sem que esse trabalho pedagógico fique reduzido ao um “treinamento” para sua participação nas avaliações externas?
Lembramos que evoluir em avaliação é acompanhar o ser humano integralmente. É ouvir, ver, sentir, tocar, relacionar-se. Então, falei sobre a questão da ética, de tomar o cuidado para que esse momento seja tranquilo e acolhedor para o aluno.
Para embasar nossas discussões, apresentei alguns slides sobre o que os estudiosos e pensadores dizem sobre a avaliação.
Avaliar é???
Para Jussara Hoffmann: - “A avaliação é reflexão transformada em ação. Ação essa que nos impulsiona para novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre a realidade, e acompanhamento, passo a passo do educando, na sua trajetória de construção de conhecimento.” (p.18)
Para Perrenoud (1999): - “Na avaliação da aprendizagem, o professor não deve permitir que os resultados das provas periódicas, geralmente de caráter classificatório, sejam supervalorizados em detrimento de suas observações diárias, de caráter diagnóstico.”
Para Lukesi: - “Avaliar é o ato de diagnosticar uma experiência, tendo em vista reorientá-la para produzir o melhor resultado possível; por isso, não é classificatória, nem seletiva, ao contrário, é diagnóstica e inclusiva.”
Segundo Demo (2000), o erro não é um corpo estranho, uma falha na aprendizagem. Ele é essencial, é parte do processo. Ninguém aprende sem errar. O homem tem uma estrutura cerebral ligada ao erro, é intrínseco ao saber-pensar, à capacidade de avaliar e refinar, por acerto ou erro, até chegar a uma aproximação final. Os erros e dúvidas dos alunos são considerados episódios significativos e impulsionadores da ação educativa.
Para consolidar as discussões sobre avaliação como prática de inclusão e investigação, enfatizei para os professores sobre a importância em tratar o aluno com respeito em todo o processo, de tal modo que sua autoestima, motivação, reputação e oportunidades de crescimento sejam protegidos. A informação deve ser equilibrada mostrando aspectos de sucesso, potencial, dados e dificuldades, para consolidar sucessos e corrigir dificuldades, evitando conflitos e, se ocorrerem, resolvê-los com honestidade e respeito.
Diante de todo esse trabalho, quero ressaltar o esforço da Secretária Municipal de Educação, Eliane Lanfernine, em viabilizar os recursos necessários para reprodução das provas. Quero ressaltar o trabalho e o empenho valioso da Supervisora do Gestar, Gisa, e da Técnica em Educação, Araci, na reprodução e organização das provas. A aplicação dessas provas oportunizou para todos nós inseridos no Gestar, professores e alunos, a oportunidade de redirecionar o olhar para o aprendizado dos alunos.
Debatemos também sobre a importância de garantir que a avaliação deve ser prática, prudente e diplomática, obtendo a informação sem perturbar o aluno, conduzida com negociação e participação dos alunos, familiares e outros, assegurando cooperação e respeitando tempo e recursos necessários para ter sucesso em sua realização.
Para finalizar, quero registrar o sucesso do nosso trabalho que se deu graças ao empenho e compromisso de todos os envolvidos, especialmente dos professores cursistas, que não mediram esforços e se entregaram de corpo e alma em todas as etapas. Em síntese, estamos avançando em nossa prática, superando barreiras aproveitando recursos, correndo riscos, sendo bem-sucedidos.
Edinília Nascimento Cruz
Educar, Ensinar a Pensar
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na
palavra, no trabalho, na ação-reflexão".
Paulo Freire
Nós professores somos responsáveis por tarefas fundamentais. A missão do professor não é apenas ensinar a ler, a escrever e a contar, mas de ensinar a questionar a própria realidade e nela inferir.
A oficina realizada dia 12/09 foi mais um momento de consolidação do Gestar e reafirmação do nosso processo de gestação de uma nova prática de ensino. Estamos gestando experiências, trocas e partilhas. O Programa Gestar já faz parte da realidade dos cursistas, pois as atividades que eles aplicam com os alunos estão mostrando a diferença. Os resultados aos poucos estão surgindo. Desta forma, o curso está trazendo benefícios a toda a comunidade escolar.
Paulo Freire
Nós professores somos responsáveis por tarefas fundamentais. A missão do professor não é apenas ensinar a ler, a escrever e a contar, mas de ensinar a questionar a própria realidade e nela inferir.
A oficina realizada dia 12/09 foi mais um momento de consolidação do Gestar e reafirmação do nosso processo de gestação de uma nova prática de ensino. Estamos gestando experiências, trocas e partilhas. O Programa Gestar já faz parte da realidade dos cursistas, pois as atividades que eles aplicam com os alunos estão mostrando a diferença. Os resultados aos poucos estão surgindo. Desta forma, o curso está trazendo benefícios a toda a comunidade escolar.
Foi um encontro preparado com muito critério e, para sinalizar o momento que estamos vivenciando, apresentei a fábula de Rubem Alves “Os Sonhos dos Ratos” e o texto de Marcos Bagno “País emergente, educação submersa”, que nos permitiram fazer uma leitura reflexiva sobre a educação no contexto e no parâmetro do mundo atual.
Como vem salientando Rubem Alves, a escola não está ensinando o aluno a pensar. O objetivo da educação é ensinar a pensar, mas na prática ainda há muitos educadores arraigados a velhas práticas de ficar apenas dando informações, transmitindo conteúdos. Precisam urgentemente repensar uma prática que leve os alunos a pensar, pois o saber sem o pensar é inútil.
Propus aos professores cursistas que fizessem uma reflexão sobre caminhar dentro do Gestar, apontando as oportunidades, forças, fraquezas e ameaças, que resultou em um debate para juntos podermos fazer as interferências necessárias diante das fraquezas e ameaças, e nos solidificarmos com as oportunidades e forças. A partir de então, percebemos a necessidade de lançar novos olhares que mostram a produtividade do diálogo entre conhecimento e desconhecimento, que percebem todo ponto de chegada como indício de novos pontos de partida, sendo ambos marcados pelos erros e acertos, num processo contínuo e desafiador. Desafio inscrito na necessidade, possibilidade humana de sonhar utopias e tecer coletivamente trajetos para torná-las realidade.
Nesta oficina tivemos um momento propício para discutir e argumentar sobre o papel do professor, já que o assunto em foco da unidade 21 da TP6 é a argumentação. Como desenvolver a argumentação e a criticidade em nossos alunos? No contexto atual, nós professores precisamos mostrar para os alunos a argumentação como algo natural muito presente em nossa vida, pois é nestas horas que ensaiamos falas, resolvemos problemas pessoais e coletivos, levantamos hipóteses, fazemos planos, sonhamos, e todos estes casos trazem as marcas dos nossos pontos de vista, dos nossos interesses. Pesamos os prós e contras, decidimos, agimos de acordo com nossos benefícios e valores. Agindo assim, estamos possibilitando nossos alunos a atuar de forma crítica e reflexiva como propõe a LDB, e assim contribuir na construção de um mundo melhor.
Não pretendemos consertar o mundo, mas compreendê-lo, porque a vida é indivisível, e neste dialogo que nos alimenta, aprendemos a acreditar em um mundo mais humano, mais justo e mais digno, em que todos possam encontrar alimento para o corpo e para a alma, neste universo de múltiplos diálogos.
Procurei salientar que o trabalho na sala de aula com a argumentação deve iniciar sempre com uma proposta que direcione o educando a argumentar sobre sua própria realidade, seus desejos, anseios, angústias, para que se sintam mais estimulados. Um dos maiores problemas hoje é ensinar o aluno a pensar, questionar, indagar, exercitar sempre suas reflexões e argumentações. O aprendiz precisa de se sentir estimulado para compreender o porquê de cada coisa, bem como a forma como esse conhecimento será empregado em sua vida.
Refletimos sobre os questionamentos do texto ampliando nossas referências, discutimos os diferentes tipos de argumentos e ressaltamos que nenhum ato de comunicação é neutro. Mesclando entre teoria e prática, os professores cursistas foram expondo suas experiências com a aplicação do avançando na prática em sala de aula. Alguns expuseram dificuldades em trabalhar argumentação com alunos do 6º e 7º anos, mas intervim argumentando que o tempo todo esses alunos já fazem uso da argumentação, mesmo sem se dar conta disso. O que precisa é estimulá-los a fazê-lo de forma consciente.
Passando para unidade 22, “Produção Textual: planejamentos e escrita”, propus uma dinâmica que possibilitou aos cursistas refletirem sobre a importância do planejamento e da contextualização. Atentamos para a importância do planejamento em tudo que fazemos em nossa vida, especialmente sobre o planejamento que se faz necessário ao produzir um texto. Não houve tempo para nos aprofundarmos nas discussões, porém continuaremos na próxima oficina de forma enfática e detalhada.
Na parte final do encontro, os professores realizaram a atividade prática proposta na TP, a produção coletiva e desenvolvimento da crônica “Espírito Carnavalesco”, de Moacir Scliar, observando o planejamento e a revisão. Os grupos fizeram a exposição oral sobre os procedimentos adotados no planejamento da escrita do final do texto e fizeram a leitura e, logo em seguida, li o final do texto original.
Nesta oficina, tivemos a participação das acadêmicas do curso de Letras da UNIDERP Interativa e a visita da supervisora pedagógica do Gestar, Gislene, que fez a entrega das provas diagnósticas para os professores e, juntamente com ela, expus aos cursistas o objetivo da prova diagnóstica e os procedimentos para sua aplicação. Em tempo, combinamos para o sábado seguinte (19/09) uma oficina extra, específica sobre avaliação, para consolidação e análise dos resultados.
Finalizamos com a avaliação do encontro e reflexões sobre nossos trabalhos realizados na oficina e questionei sobre o que eles achavam que deveria ser mudado quanto ao direcionamento do meu trabalho. As manifestações foram favoráveis aos métodos que utilizo, o que me motivou a continuar me dedicando cada vez mais, pois minha maior satisfação é saber que estou realizando um trabalho que está sendo útil para o crescimento de outro. Tenho procurado compartilhar minhas experiências positivas com os cursistas.
Para concluir este relatório, quero expressar algo que tem se manifestado em todos os encontros por meio das vozes dos cursistas e me incomodado e entristecido muito: é a falta de apoio e parceria de alguns supervisores, diretores e colegas professores de outras disciplinas. Muitos têm tratado o programa do Gestar com certo desprezo e indiferença. Diante disso, pergunta-se: Qual é mesmo o papel do diretor e do supervisor? Convém lembrar que a resposta para essa pergunta é muito óbvia, ou pelo menos poderia ser.
A princípio, o diretor e o supervisor educacional representam as pessoas que procuram direcionar o trabalho pedagógico na escola em que atuam para que se efetive a qualidade em todo o processo educacional. Sabe-se que tais profissionais são servidores especializados em manter a motivação do corpo docente. Devem ser idealistas, definindo claramente que caminhos tomar, que papéis se propõem a desempenhar, buscando constantemente ser transformadores, trabalhando em parceria, integrando a escola e a comunidade na qual se inserem. Seria tão belo se realmente essa teoria se aplicasse plenamente na prática.
Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade e que vem sendo amplamente discutido é a educação, no seu sentido de formação humana. Educar é uma tarefa que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As mudanças não se propagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são decorrentes de ações. No entanto, as ações isoladas não surtem efeito. É preciso que o trabalho seja realizado em conjunto, do qual todos participem em prol de uma educação de qualidade baseada na igualdade de direitos.
Edinília Nascimento Cruz -Professora Formadora do Gestar no Município de Itacarambi
Relatório do Professor cursista sobre o encontro - TP 6 1ª Parte
A oficina 11 do Gestar , ocorrida no dia 12 de setembro de 2009, iniciou-se com a apresentação da Fábula dos Ratos, seguida de reflexão sobre os diversos sentidos que podemos incorporar ao texto, relacionando o texto com os educadores e suas disputas, falta de união e trabalho em equipe. A reflexão permitiu que revisássemos as oportunidades e ameaças, forças e fraquezas no processo de aplicação do Gestar 11. A atividade demonstrou que as cursistas tinham problemas semelhantes, principalmente a falta de apoio e participação das escolas (equipes pedagógica e administrativa) nas aplicações das atividades referentes ao Gestar. Outra situação que quase todos vivenciam, principalmente quem trabalha em escola da zona rural, é a falta de recursos (xerox, revistas, jornais, etc.).
A frase a seguir mostra uma verdade em todas as escolas:
O Gestar não é um evento, é um programa,
não incomoda e vai embora,
incomoda e busca soluções.
Várias cursistas falaram que os colegas referiam-se ao Gestar como "Gestarzinho", menosprezando o nosso trabalho e o movimento que está gerando em nossos alunos. Muitos não acreditam na seriedade e no valor do curso, pensam que estamos apenas perdendo tempo, mas nunca na história da educação produziu-se uma capacitação tão enriquecedora e fundamentada nos documentos oficiais da educação mineira. Ele está permitindo que incomodemos e busquemos soluções para os problemas no ensino-aprendizagem.
A formadora Edinília deu continuidade à oficina expressando os pontos que precisam de revisão na confecção do portfólio, orientando sobre a forma de produzir um relatório reflexivo-crítico, mostrando os trabalhos de alunos que apresentam dificuldades e fazer a autocorreção de todos os relatórios para adequá-los às exigências do curso.
Nessa parte da oficina foram entregues as provas para diagnosticar os pontos em que nossos alunos precisam avançar e em quais já avançaram, seguindo-se as orientações para sua aplicação.
O momento teórico foi muito importante, pois nos coloca em contato com os princípios que norteiam nossas práticas e ajuda-nos a qualificar nossas aulas. O processo de argumentação é um dos tópicos importantíssimos, porque está presente no nosso dia-a-dia, mesmo sem percebermos utilizamos a argumentação para convencer, provar nosso ponto de vista, persuadir outras pessoas a fazer o que queremos. A formadora deu algumas orientações de como construir esse processo na sala de aula com alunos de 6° ano e as colegas cursistas contribuíram com depoimentos de como realizaram esse processo em suas salas de aula, permitindo assim que nós crescêssemos com seus depoimentos.
Estudamos ainda os tipos de argumentação - senso comum, consenso, pelo exemplo, raciocínio lógico, e outros. Mesmo considerando que estudamos o TP6 e vimos todos esses tipos de argumentação, o momento teórico contribui trazendo sempre algo que permite aprender com mais facilidade. Durante esse momento, mesclou-se a teoria com os relatos da experiência em sala de aula, enriquecendo ainda mais o tópico.
Para mostrar a importância de contextualizar o tema, debater com os alunos, criar hipóteses e trazer fonte de referência, a professora Edinília desenvolveu uma dinâmica com seis alunas do curso em que, ao mostrar uma palavra, a pessoa indicada teria que iniciar uma argumentação e a cada palavra mostrada seguia-se outra pessoa dando continuidade à ideia construída pela anterior, até que se chegou à última pessoa que elaborou a conclusão. Todas nós percebemos a dificuldade das cursistas em argumentar de acordo com a palavra jogada de surpresa. O momento mostrou-nos que é importante conduzir o pensamento do aluno sobre o assunto, fazê-lo pesquisar, aprofundar-se no assunto e sugerir soluções para a situação-problema proposta. Quando debatemos um tema, o aluno encontra facilidade para escrever, porque seus pensamentos estão agitados pelas ideias debatidas e outras que não foram apresentadas que pode acrescentar no seu texto escrito.
A finalização da oficina foi um trabalho de produção de texto narrativo, em que teríamos que dar continuidade a ele, construindo argumentação no diálogo entre os personagens. O texto inicia-se com a mulher acordando o marido por causa do barulho ensurdecedor no ensaio de uma escola carnavalesca, insistindo que ele tomasse providências. Os grupos produziram várias sugestões, nas quais o marido chamava a polícia e esta mudava o horário do ensaio; outra sugestão, o marido ia até o local e acabava caindo no samba. A mulher preocupada com a demora dele, segue-o e o encontra sambando, etc.
A professora mostrou o final do texto depois das apresentações o que provou que algumas sugestões ficaram semelhantes. Ao término, os cursistas entregaram a avaliação da oficina e nos despedimos da professora com a sensação de satisfação por termos participado de um encontro tão proveitoso e rico. Sempre saio dali com o desejo de correr para minha sala de aula e aplicar as ideias que surgem,durante a troca de experiências e o momento teórico.
Professora Cursista - Cássia Cardoso Lima dos Santos - Escola Estadual da Vila Florentina
A oficina 11 do Gestar , ocorrida no dia 12 de setembro de 2009, iniciou-se com a apresentação da Fábula dos Ratos, seguida de reflexão sobre os diversos sentidos que podemos incorporar ao texto, relacionando o texto com os educadores e suas disputas, falta de união e trabalho em equipe. A reflexão permitiu que revisássemos as oportunidades e ameaças, forças e fraquezas no processo de aplicação do Gestar 11. A atividade demonstrou que as cursistas tinham problemas semelhantes, principalmente a falta de apoio e participação das escolas (equipes pedagógica e administrativa) nas aplicações das atividades referentes ao Gestar. Outra situação que quase todos vivenciam, principalmente quem trabalha em escola da zona rural, é a falta de recursos (xerox, revistas, jornais, etc.).
A frase a seguir mostra uma verdade em todas as escolas:
O Gestar não é um evento, é um programa,
não incomoda e vai embora,
incomoda e busca soluções.
Várias cursistas falaram que os colegas referiam-se ao Gestar como "Gestarzinho", menosprezando o nosso trabalho e o movimento que está gerando em nossos alunos. Muitos não acreditam na seriedade e no valor do curso, pensam que estamos apenas perdendo tempo, mas nunca na história da educação produziu-se uma capacitação tão enriquecedora e fundamentada nos documentos oficiais da educação mineira. Ele está permitindo que incomodemos e busquemos soluções para os problemas no ensino-aprendizagem.
A formadora Edinília deu continuidade à oficina expressando os pontos que precisam de revisão na confecção do portfólio, orientando sobre a forma de produzir um relatório reflexivo-crítico, mostrando os trabalhos de alunos que apresentam dificuldades e fazer a autocorreção de todos os relatórios para adequá-los às exigências do curso.
Nessa parte da oficina foram entregues as provas para diagnosticar os pontos em que nossos alunos precisam avançar e em quais já avançaram, seguindo-se as orientações para sua aplicação.
O momento teórico foi muito importante, pois nos coloca em contato com os princípios que norteiam nossas práticas e ajuda-nos a qualificar nossas aulas. O processo de argumentação é um dos tópicos importantíssimos, porque está presente no nosso dia-a-dia, mesmo sem percebermos utilizamos a argumentação para convencer, provar nosso ponto de vista, persuadir outras pessoas a fazer o que queremos. A formadora deu algumas orientações de como construir esse processo na sala de aula com alunos de 6° ano e as colegas cursistas contribuíram com depoimentos de como realizaram esse processo em suas salas de aula, permitindo assim que nós crescêssemos com seus depoimentos.
Estudamos ainda os tipos de argumentação - senso comum, consenso, pelo exemplo, raciocínio lógico, e outros. Mesmo considerando que estudamos o TP6 e vimos todos esses tipos de argumentação, o momento teórico contribui trazendo sempre algo que permite aprender com mais facilidade. Durante esse momento, mesclou-se a teoria com os relatos da experiência em sala de aula, enriquecendo ainda mais o tópico.
Para mostrar a importância de contextualizar o tema, debater com os alunos, criar hipóteses e trazer fonte de referência, a professora Edinília desenvolveu uma dinâmica com seis alunas do curso em que, ao mostrar uma palavra, a pessoa indicada teria que iniciar uma argumentação e a cada palavra mostrada seguia-se outra pessoa dando continuidade à ideia construída pela anterior, até que se chegou à última pessoa que elaborou a conclusão. Todas nós percebemos a dificuldade das cursistas em argumentar de acordo com a palavra jogada de surpresa. O momento mostrou-nos que é importante conduzir o pensamento do aluno sobre o assunto, fazê-lo pesquisar, aprofundar-se no assunto e sugerir soluções para a situação-problema proposta. Quando debatemos um tema, o aluno encontra facilidade para escrever, porque seus pensamentos estão agitados pelas ideias debatidas e outras que não foram apresentadas que pode acrescentar no seu texto escrito.
A finalização da oficina foi um trabalho de produção de texto narrativo, em que teríamos que dar continuidade a ele, construindo argumentação no diálogo entre os personagens. O texto inicia-se com a mulher acordando o marido por causa do barulho ensurdecedor no ensaio de uma escola carnavalesca, insistindo que ele tomasse providências. Os grupos produziram várias sugestões, nas quais o marido chamava a polícia e esta mudava o horário do ensaio; outra sugestão, o marido ia até o local e acabava caindo no samba. A mulher preocupada com a demora dele, segue-o e o encontra sambando, etc.
A professora mostrou o final do texto depois das apresentações o que provou que algumas sugestões ficaram semelhantes. Ao término, os cursistas entregaram a avaliação da oficina e nos despedimos da professora com a sensação de satisfação por termos participado de um encontro tão proveitoso e rico. Sempre saio dali com o desejo de correr para minha sala de aula e aplicar as ideias que surgem,durante a troca de experiências e o momento teórico.
Professora Cursista - Cássia Cardoso Lima dos Santos - Escola Estadual da Vila Florentina
Relatório de experiência - aplicação do avançando na Prática
Relatório de experiência realizada em sala de aula
Professora cursista: Érica de Sousa Freitas Macêdo
GESTAR II - Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - 2009
O relato a seguir apresenta atividades realizadas na turma do 9° ano (Paz) do 1° turno, da Escola Estadual Professor Josefino Barbosa. que tem como temática a construção da argumentação, da Seção 1, da Unidade 21 - Leitura e processos de escrita 11 - TP6, especialmente as sugestões do Avançando na Prática da página 23. Essa seção em questão tem como objetivo identificar marcas de argumentatividade na organização dos textos.
Os trabalhos foram iniciados com uma discussão sobre diversas temáticas atuais e pertinentes à faixa etária dos alunos. Após esse momento, foi feita a divisão em grupo para que a discussão se tornasse mais específica e, assim, a discussão resultou na escolha do tema Gravidez precoce (tese). Em seguida, cada grupo foi desafiado a escrever possíveis argumentos (motivos) para defesa da tese escolhida. Após esse momento, individualmente cada aluno deveria formalizar um texto dissertativo abordando a tese escolhida e os argumentos já identificados pelo grupo. A professora, nesse momento, fez uma explanação detalhada do conteúdo básico de cada parte da dissertação (introdução, desenvolvimento e conclusão). Após a primeira escrita, foi feita uma primeira leitura e correção, o que resultou em mais uma reescrita.
Depois de todas essas aulas, foi o momento da correção de atividades da AA6, relativas às aulas 2.3, 6 e 8. Encerrou-se esse período de aula com as atividades ainda por corrigir e a reescrita do texto mais uma vez, a partir das observações feitas com os exercícios da aula anterior correspondente a AA6.
Essas aulas foram muitíssimo produtivas e bastante reflexivas. Foi notório o envolvimento dos alunos com as atividades propostas, uma vez que estavam bem inteirados da temática.
Érica de Sousa Freitas Macêdo - Professora cursista
domingo, 30 de agosto de 2009
Relatório Reflexivo – Encontro de Formadores -Circuito em trans(forma) ação
“O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer.” (Rubem Alves)
Com essas palavras de Rubem Alves quero iniciar este relatório de forma bastante emotiva, porque é o que sinto no retorno a esse encontro do Gestar. Nos dias 24, 25, 26, 27 e 28 de agosto, nos reunimos na cidade de Montes Claros para nosso segundo encontro de formadores do Gestar. Estava bastante apreensiva pois sabia que teríamos outra formadora, não a conhecíamos e isso me tirava um pouco a tranquilidade. Mas a vida nos guarda muitas surpresas e uma delas foi ter nos presenteado com a vinda da Guiana, que superou todas as minhas expectativas. Sem ela, esse encontro não teria a mesma cor nem o mesmo sabor e gostinho de quero mais. Pelas mãos de Guiana vi ali tecer os fios de afeto, dedicação, doação, partilha, companheirismo, compreensão, segurança, paz, harmonia, solidariedade. A princípio, os fios se embaralharam, enrolaram-se, havia muitos nós, mas depois se entrelaçaram, de modo que, no final do encontro, tínhamos o que não havíamos conseguido no primeiro: a interação entre o grupo. Nosso grupo era bem pequeno e nos permitiu maior interação. A teia tecida e enaltecida se fez presente entre nós.
No primeiro dia do nosso encontro, a nossa Formadora nos proporcionou um momento para que cada um se apresentasse expondo o seu trabalho como formador do Gestar. Foi um momento ímpar, de muita interação, desabafo, troca e socialização. Foi um momento que muito me sensibilizou e me fez refletir sobre o quanto a educação ainda não é prioridade do poder público. Alguns relatos me deixaram triste e desmotivada, outros porém me foram bastante motivadores.
Participar do 2º encontro do Gestar proporcionou-me rica contribuição no sentido de possibilitar uma reflexão sobre as necessidades de mudanças e novas buscas para melhoria da educação. Não podemos ficar alheios ao surgimento desse mundo novo, fruto de inovação tecnológica, da informática e da sempre mais rápida e crescente comunicação. A educação precisa se adequar a essas mudanças. Para tanto, busca-se um novo caminho, um jeito novo de caminhar.
A nossa participação no Gestar é um privilégio para nós educadores, especialmente no momento em que estamos passando por tantas incertezas, pois precisamos perceber essa necessidade de mudanças e de reconstrução de nossas práticas, dar conta do nosso papel dentro deste cenário que se descortina à nossa frente. A educação é o processo pelo qual o sujeito produz a si mesmo como ser humano, individual e coletivo. Tornar-se humano é tarefa difícil, exigente e o educador é aquele que, ao se construir como sujeito, se dispõe a auxiliar o outro, o educando, na tarefa de construção de si mesmo. Por isso nunca estamos prontos ou acabados, pois estamos sempre em construção, reconstrução e transformação.
No decorrer de nossos encontros ao longo da semana, ia me certificando de que, com o Gestar, temos o poder da mudança em nossas mãos e podemos fazer muito pela melhoria da educação. O trabalho de educar exige envolver-se com o conhecimento e com o processo de desenvolvimento humano. Exige que se trabalhe com o conhecimento - ferramenta indispensável à nossa vida prática na sociedade - necessário para alimentar nossa alma e para a realização de nossos sonhos. Realizar bem este trabalho requer saber lidar bem com a própria autoestima, pois fica muito difícil ser educador sem gostar de si mesmo, sem se envolver apaixonadamente com o processo de construção da própria existência, sem amar os próprios sonhos.
Cada encontro a cada dia da semana de formação permitia-me buscar mudanças, aperfeiçoar-me, crescer enquanto profissional, fazer um balanço crítico do meu trabalho. Tenho plena convicção de que o Gestar motivou-me a trabalhar com mais otimismo e alegria, a não me desanimar diante das dificuldades, a acreditar no potencial humano, a saber acolher os valores da vida e da história, a valorizar as múltiplas inteligências de nossos educandos.
O Gestar vem para reafirmar que o trabalho educativo é e sempre será uma fonte inesgotável de aprendizagem. Basta querer aprender. O automatismo e a rotina fazem com que experiências valiosas se percam por falta de sensibilidade, interesse e sutileza do educador em captá-las e delas fazer a matéria de seu crescimento, como pessoa, como profissional e como cidadão. Quando a experiência do dia-a-dia é valorizada, a rotina se transmuda em aventura.
Relacionar-se de maneira significativa com adolescentes em dificuldade é alguma coisa que, a partir de uma consistente disposição interior, pode ser aprendida. Esse aprendizado nasce do entendimento e do treino.
Capacidades como aprender com os próprios erros, aceitar o outro como ele é e interessar-se pelas potencialidades e limites de cada adolescente são requisitos mais importantes que a coragem, o heroísmo e o zelo extremo que parecem ser a marca de educadores tidos, às vezes, como pessoas fora do comum, educadores capazes de atuar de forma excepcional frente a situações, as mais difíceis.
Com tudo isso que consegui absorver e repensar através do Gestar, tive a preocupação e o cuidado de me transpor para minha realidade, realidade de nossa escola, de nossos alunos. E o primeiro e mais decisivo passo para vencer as dificuldades pessoais é o desejo de fazer sempre o melhor.
Na verdade, o desempenho que devemos esperar de um educador tecnicamente preparado é que ele use o bom senso para evitar situações que venham requerer mobilizações extremas de habilidades e sentimentos. Para isso, faz-se necessário um esforço consciente e sincero de apegar-se ao quotidiano de forma atenta e criativa.
Refletir sobre os acontecimentos comuns do dia-a-dia nos parece o melhor dos caminhos. Quando incorporamos este tipo de atitude, já não somos vítimas do tédio e do aborrecimento, porque continuamente estaremos fazendo descobertas sobre nossos educandos e sobre nós mesmos. Sem isso, nos condenamos à rotina, à autocomplacência e ao desinteresse.
Na ação educativa, a linha que separa o sucesso do fracasso é tênue, quase imperceptível, e tende a deslocar-se com as oscilações das realidades internas e externas do educador e do educando. Limitações existem em qualquer aspecto da relação entre quem ajuda e quem é ajudado. Algumas são superáveis, outras nos convidam a conviver com elas, aprendendo a conhecê-las e a neutralizar ou reverter os seus impactos sobre o processo de mudança e crescimento no qual, por opção e dever, estamos sempre empenhados. Espero que consiga passar para meus professores cursistas este mesmo entusiasmo e otimismo e esta forte convicção de que estamos no caminho certo.
Edinília
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