domingo, 20 de setembro de 2009

Relatório de experiência - aplicação do avançando na Prática

Relatório de experiência realizada em sala de aula

Professora cursista: Érica de Sousa Freitas Macêdo
GESTAR II - Programa Gestão da Aprendizagem Escolar - 2009

O relato a seguir apresenta atividades realizadas na turma do 9° ano (Paz) do 1° turno, da Escola Estadual Professor Josefino Barbosa. que tem como temática a construção da argumentação, da Seção 1, da Unidade 21 - Leitura e processos de escrita 11 - TP6, especialmente as sugestões do Avançando na Prática da página 23. Essa seção em questão tem como objetivo identificar marcas de argumentatividade na organização dos textos.

Os trabalhos foram iniciados com uma discussão sobre diversas temáticas atuais e pertinentes à faixa etária dos alunos. Após esse momento, foi feita a divisão em grupo para que a discussão se tornasse mais específica e, assim, a discussão resultou na escolha do tema Gravidez precoce (tese). Em seguida, cada grupo foi desafiado a escrever possíveis argumentos (motivos) para defesa da tese escolhida. Após esse momento, individualmente cada aluno deveria formalizar um texto dissertativo abordando a tese escolhida e os argumentos já identificados pelo grupo. A professora, nesse momento, fez uma explanação detalhada do conteúdo básico de cada parte da dissertação (introdução, desenvolvimento e conclusão). Após a primeira escrita, foi feita uma primeira leitura e correção, o que resultou em mais uma reescrita.

Depois de todas essas aulas, foi o momento da correção de atividades da AA6, relativas às aulas 2.3, 6 e 8. Encerrou-se esse período de aula com as atividades ainda por corrigir e a reescrita do texto mais uma vez, a partir das observações feitas com os exercícios da aula anterior correspondente a AA6.

Essas aulas foram muitíssimo produtivas e bastante reflexivas. Foi notório o envolvimento dos alunos com as atividades propostas, uma vez que estavam bem inteirados da temática.
Érica de Sousa Freitas Macêdo - Professora cursista

domingo, 30 de agosto de 2009

Relatório Reflexivo – Encontro de Formadores -Circuito em trans(forma) ação


“O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer.” (Rubem Alves)

Com essas palavras de Rubem Alves quero iniciar este relatório de forma bastante emotiva, porque é o que sinto no retorno a esse encontro do Gestar. Nos dias 24, 25, 26, 27 e 28 de agosto, nos reunimos na cidade de Montes Claros para nosso segundo encontro de formadores do Gestar. Estava bastante apreensiva pois sabia que teríamos outra formadora, não a conhecíamos e isso me tirava um pouco a tranquilidade. Mas a vida nos guarda muitas surpresas e uma delas foi ter nos presenteado com a vinda da Guiana, que superou todas as minhas expectativas. Sem ela, esse encontro não teria a mesma cor nem o mesmo sabor e gostinho de quero mais. Pelas mãos de Guiana vi ali tecer os fios de afeto, dedicação, doação, partilha, companheirismo, compreensão, segurança, paz, harmonia, solidariedade. A princípio, os fios se embaralharam, enrolaram-se, havia muitos nós, mas depois se entrelaçaram, de modo que, no final do encontro, tínhamos o que não havíamos conseguido no primeiro: a interação entre o grupo. Nosso grupo era bem pequeno e nos permitiu maior interação. A teia tecida e enaltecida se fez presente entre nós.

No primeiro dia do nosso encontro, a nossa Formadora nos proporcionou um momento para que cada um se apresentasse expondo o seu trabalho como formador do Gestar. Foi um momento ímpar, de muita interação, desabafo, troca e socialização. Foi um momento que muito me sensibilizou e me fez refletir sobre o quanto a educação ainda não é prioridade do poder público. Alguns relatos me deixaram triste e desmotivada, outros porém me foram bastante motivadores.

Participar do 2º encontro do Gestar proporcionou-me rica contribuição no sentido de possibilitar uma reflexão sobre as necessidades de mudanças e novas buscas para melhoria da educação. Não podemos ficar alheios ao surgimento desse mundo novo, fruto de inovação tecnológica, da informática e da sempre mais rápida e crescente comunicação. A educação precisa se adequar a essas mudanças. Para tanto, busca-se um novo caminho, um jeito novo de caminhar.

A nossa participação no Gestar é um privilégio para nós educadores, especialmente no momento em que estamos passando por tantas incertezas, pois precisamos perceber essa necessidade de mudanças e de reconstrução de nossas práticas, dar conta do nosso papel dentro deste cenário que se descortina à nossa frente. A educação é o processo pelo qual o sujeito produz a si mesmo como ser humano, individual e coletivo. Tornar-se humano é tarefa difícil, exigente e o educador é aquele que, ao se construir como sujeito, se dispõe a auxiliar o outro, o educando, na tarefa de construção de si mesmo. Por isso nunca estamos prontos ou acabados, pois estamos sempre em construção, reconstrução e transformação.

No decorrer de nossos encontros ao longo da semana, ia me certificando de que, com o Gestar, temos o poder da mudança em nossas mãos e podemos fazer muito pela melhoria da educação. O trabalho de educar exige envolver-se com o conhecimento e com o processo de desenvolvimento humano. Exige que se trabalhe com o conhecimento - ferramenta indispensável à nossa vida prática na sociedade - necessário para alimentar nossa alma e para a realização de nossos sonhos. Realizar bem este trabalho requer saber lidar bem com a própria autoestima, pois fica muito difícil ser educador sem gostar de si mesmo, sem se envolver apaixonadamente com o processo de construção da própria existência, sem amar os próprios sonhos.

Cada encontro a cada dia da semana de formação permitia-me buscar mudanças, aperfeiçoar-me, crescer enquanto profissional, fazer um balanço crítico do meu trabalho. Tenho plena convicção de que o Gestar motivou-me a trabalhar com mais otimismo e alegria, a não me desanimar diante das dificuldades, a acreditar no potencial humano, a saber acolher os valores da vida e da história, a valorizar as múltiplas inteligências de nossos educandos.

O Gestar vem para reafirmar que o trabalho educativo é e sempre será uma fonte inesgotável de aprendizagem. Basta querer aprender. O automatismo e a rotina fazem com que experiências valiosas se percam por falta de sensibilidade, interesse e sutileza do educador em captá-las e delas fazer a matéria de seu crescimento, como pessoa, como profissional e como cidadão. Quando a experiência do dia-a-dia é valorizada, a rotina se transmuda em aventura.

Relacionar-se de maneira significativa com adolescentes em dificuldade é alguma coisa que, a partir de uma consistente disposição interior, pode ser aprendida. Esse aprendizado nasce do entendimento e do treino.

Capacidades como aprender com os próprios erros, aceitar o outro como ele é e interessar-se pelas potencialidades e limites de cada adolescente são requisitos mais importantes que a coragem, o heroísmo e o zelo extremo que parecem ser a marca de educadores tidos, às vezes, como pessoas fora do comum, educadores capazes de atuar de forma excepcional frente a situações, as mais difíceis.

Com tudo isso que consegui absorver e repensar através do Gestar, tive a preocupação e o cuidado de me transpor para minha realidade, realidade de nossa escola, de nossos alunos. E o primeiro e mais decisivo passo para vencer as dificuldades pessoais é o desejo de fazer sempre o melhor.

Na verdade, o desempenho que devemos esperar de um educador tecnicamente preparado é que ele use o bom senso para evitar situações que venham requerer mobilizações extremas de habilidades e sentimentos. Para isso, faz-se necessário um esforço consciente e sincero de apegar-se ao quotidiano de forma atenta e criativa.

Refletir sobre os acontecimentos comuns do dia-a-dia nos parece o melhor dos caminhos. Quando incorporamos este tipo de atitude, já não somos vítimas do tédio e do aborrecimento, porque continuamente estaremos fazendo descobertas sobre nossos educandos e sobre nós mesmos. Sem isso, nos condenamos à rotina, à autocomplacência e ao desinteresse.

Na ação educativa, a linha que separa o sucesso do fracasso é tênue, quase imperceptível, e tende a deslocar-se com as oscilações das realidades internas e externas do educador e do educando. Limitações existem em qualquer aspecto da relação entre quem ajuda e quem é ajudado. Algumas são superáveis, outras nos convidam a conviver com elas, aprendendo a conhecê-las e a neutralizar ou reverter os seus impactos sobre o processo de mudança e crescimento no qual, por opção e dever, estamos sempre empenhados. Espero que consiga passar para meus professores cursistas este mesmo entusiasmo e otimismo e esta forte convicção de que estamos no caminho certo.
Edinília

Recordações do encontro


Posted by Picasa

2º Encontro de Formadores

Posted by Picasa

Planejando atividades

Posted by Picasa

Expondo trabalhos realizados com os cursistas - compartilhando experiências

Posted by Picasa

Encontro de Formadores


Edinília e Amanda
Posted by Picasa

Encontro em Montes Claros





da esquerda para direita Alécia, Guiana, Edinília e Edneia

Posted by Picasa

Encontro em Montes Claros - exposição dos trabalhos

da esquerda para direita - Edneia, Liliane, Laura, Edinília e Margareth
Posted by Picasa

Relatório Reflexivo -Oficina 10 - TP5

Relatório Reflexivo

Oficina 10 - TP5 - 2ª parte - unidades 19 e 20 - duração 8h - data: 22.08.2009


Esta oficina teve um significado especial para mim e para os cursistas, sinalizou a metade do percurso no Gestar, ou seja, o término da primeira fase do Gestar no nosso município. Os professores estavam eufóricos, pois eu iria recolher os portfólios para levar para o encontro. Eu, como formadora, estava cheia de expectativas. No dia seguinte, iria para o segundo encontro de formadores do Gestar, em Montes Claros.

Inicialmente, ouvimos a música “A Lista” e lemos o texto “A necessidade de reflexão”, para abrir nossas discussões do dia. Debatemos sobre a importância de estarmos avaliando cotidianamente nossa prática, de modo a identificar as falas e possibilidades de melhoria. Temos plena consciência de que, hoje mais do que nunca, não se atualizar é estagnar e retroceder. E o Gestar é um bom caminho para possibilitar uma atuação mais reflexiva do professor.

Partimos para nossas reflexões teóricas. Primeiramente, dividi os professores em pequenos grupos e cada grupo ficou com uma das seções das unidades 19 e 20. Em seguida, houve o momento da socialização. Abrimos com as discussões da unidade 19, Coesão Textual, e os grupos fizeram suas colocações, tendo surgido muitas dúvidas e questionamentos. Apresentei os eslaides sobre o assunto e fiz exposições, em forma de diálogo aberto, permitindo que os cursistas colocassem, sem receio, suas dificuldades e contribuições.

Analisamos oralmente o texto “Circuito fechado” e realizamos uma atividade prática a partir do texto uma “História sem pé e sem cabeça” e, por meio dela, pautamos as discussões de marcas de coesão, os elos coesivos e a progressão textual. Passamos então para a unidade 20 e repetimos o mesmo procedimento.

Para nos aprofundarmos mais em nossas discussões, fizemos o estudo do texto “Ampliando nossas referências”. Os professores manifestaram suas opiniões e também suas dúvidas e questionamentos sobre qual será a melhor forma para que nossos alunos escrevam textos coerentes e coesos.

Para complementar e esclarecer muitas dúvidas, apresentei o texto “Coesão e coerência textual: questão de gênero” (Roselene dos Anjos) e debatemos sobre o seguinte questionamento: - O que queremos mesmo dizer quando afirmamos que um texto de nossos alunos está incoerente? Discutimos a necessidade de o professor mostrar o funcionamento dos mecanismos de coesão e coerência na situação e produção específicas em que o texto está inserido, pois coesão e coerência não funcionam sempre da mesma forma em todos os textos e isso nos chama a atenção para trabalhar coesão e coerência associadas ao gênero textual. Foi um momento rico e necessário e muitos cursistas relataram que não haviam atentado para essas questões.

Passamos então para o 2º momento, “Relatos de experiências”. Cada cursista expôs o “Avançando na prática” desenvolvido em sala de aula. Foi um momento de detectarmos acertos e erros, de troca de experiência. Alguns cursistas relataram dificuldades ao aplicar o Avançando na prática da página 196, devido à dificuldade dos alunos em ordenar os parágrafos do texto. Sugeri que iniciassem com textos menores e que fosse trabalhada a relação lógica entre as partes de forma mais detalhada. Todos os avançando dessas duas unidade foram aplicados, e os professores justificaram as escolhas em função do nível da turma para adequação da atividade de modo a fazer com que o aluno de fato vivenciasse na prática com clareza esses conceitos de textualidade. Ressaltei também a importância de o professor trabalhar coesão e coerência textual de forma contínua e em todas as séries, para que de fato coesão e coerência se incorporem nas produções textuais dos alunos. Busquei enfatizar isso em função do relato de uma professora ter exposto que, depois de ter aplicado o avançando, propôs uma outra atividade de produção de texto e os alunos perguntaram se aquele texto era para ser produzido com coesão e coerência.

Na parte final da oficina, fomos para a atividade prática de elaboração de textos publicitários. Levei várias imagens de produtos e pedi que os professores mobilizassem seus conhecimentos linguísticos e experiências de mundo de forma criativa. Foi um trabalho que veio fortalecer nossas discussões. Fizemos uma análise prévia de textos publicitários de modo a analisar as articulações, elementos verbais, visuais e negativas. Os grupos então foram para a parte prática e debateram, produziram os textos e os expuseram por meio de cartazes e depois fizeram as apresentações. Pontuamos por meio de análise e reflexão. Muitos se interessaram a propor atividades dessa natureza para os alunos. Finalizamos com os comentários por meio de avaliação oral dialogada sobre o encontro. Passei as orientações para o próximo encontro dia 12.09, cujo tema é o estudo da TP6 das unidades 21 e 22.

Edinília Nascimento Cruz

Professores cursistas Oficina 10 Tp5

Professores exponto trabalhos práticos sobre textos publicitários
Posted by Picasa

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Posted by Picasa
Posted by Picasa

Relatório Oficina 9 - TP5

Relatório Oficina 9 - TP5 - 11. 07. 2009

Nossa última oficina deste primeiro semestre foi realizada neste sábado, 11/07, e teve duração de 8 horas, e dividida em dois momentos. Iniciamos com uma reflexão sobre a existência de Deus em nossas vidas de modo a encontrar força e entusiasmo para continuarmos a caminhada até o fim do curso.

Fizemos o estudo teórico da Unidade 17 - Estilística e Unidade 18 - Coerência Textual. Discutimos as seções de modo a socializar e compartilhar nossas leituras. Discutimos todos os tópicos das unidades detalhadamente. Para ilustrar e fundamentar nossas discussões da seção 1 da unidade 17 “A noção de estilo e o objetivo da Estilística”, vimos um vídeo do poema “Trem de Ferro”, de Manoel Bandeira e ouvimos a música “Berimbau”. Discutimos a riqueza dos aspectos sonoros e refletimos sobre o Ampliando nossas Referências, sobretudo a fantasia e a parafantasia das palavras. Apresentei alguns slides que havia preparado para aprofundar os questionamentos sobre os assuntos tratados nessas unidades. Lemos e discutimos o texto “Os Diferentes Estilos”, de Paulo Mendes Campos.

Na sequência, os professores relataram suas experiências e a atividade mais trabalhada foi a unidade 18, o Avançando na Prática da página 105, seção “as partes do todo”, que propõe um trabalho articulado sobre coerência textual. Também foram realizadas algumas atividades da AA5. Houve muita troca de experiência e as dicussões foram bastante contundentes. Uma das maiores inquietações dos professores é fazer com que os alunos produzam textos coerentes e desenvolvam um bom nível de argumentação. Por isso, foi ressaltado que o trabalho com coerência deve ser pemanente no dia-a-dia do prorfessor de protuguês.

Após esse momento, fomos para a realização da proposta de análise do texto publicitário. Apresentei slides sobre a necessidade de se trabalhar o texto publicitário permanetemente na sala de aula, uma vez que é um forte instrumento para desenvolver criticidade e cidadania. Apresentei uma proposta de trabalho a partir do texto publicitário, depois distribuí propagandas diversificadas para que, em grupos, os professores as analisassem. Procurei evidenciar que muitas vezes há incoerências nas propagandas como neste exemplo “Não se deixe explorar pela concorrência! Compre na nossa loja”. A propaganda é potencialmente prejudicial ao comerciante que a utiliza, uma vez que ele também faz parte da concorrência.

Foi um atividade enriquecedora e os professores se sentiram motivados a realizar essas atividades com os alunos. Os grupos expuseram suas análises por meio de cartazes e reflexões. Foram analisados: público-alvo, recursos verbais, promessas implícitas e explícitas, cores e cenário, articulação entre o verbal e não verbal, argumentos persuasivos, inimigos aparentes. Houve muita interação, surgiram algumas dúvidas que foram discutidas e dabatidas pelo grupo.

No segundo momento, assistimos ao filme “Narradores de Javé” para que pudéssemos finalizar nossas discussões sobre letramento que havia ficado pendente. Os professores fizeram análise em grupo e depois realizamos um seminário no qual debatemos as várias abordagens possíveis a partir da leitura do filme e da proposta de análise sugerida. Discutimos sobre o papel do escriba e as práticas de letramento daquela comunidade e principalmente do nosso papel de escriba em sala de aula. Discutimos também o papel dos contadores de histórias e a sedução que essa prática exerce. Memórias e oralidade são aspectos fortes no filme. A escrita, instrumento de poder, a memória coletiva da escrita. A relação entre história e memória. Cada um constrói um passado para Javé a partir de seus interesses pessoais e familiares. A escrita temida pelo povo de Javé altera a relação com as palavras. Esse filme instigou em nós o desejo de realizar um trabalho com nossos alunos aqui em nossa comunidade de resgate das histórias e causos por meio das memórias dos moradores. Quem sabe também estaríamos produzindo um documentário, um dossiê sobre nossa cidade.

No momento final, entreguei para os professores a autoavaliação para que pudessem refletir sobre a atuação e a participação no Gestar durante essa primeira etapa e para que pudessem dar opiniões e sugestões sobre nossos encontros, apontando os pontos positivos e negativos. Foi um momento de muito valor, em que houve um clima de sinceridade entre os participantes, revelando que o grupo tem uma boa interação. Recolhi os portifólios, passei as orientações do próximo encontro, tirei algumas dúvidas individualmente de alguns cursistas sobre a formulação e aplicação do projeto.
Edinília Nascimento Cruz – Professora formadora do Município de Itacarambi

domingo, 28 de junho de 2009

RELATÓRIO OFICINA 8 – TP4 Unidades 15 e 16



RELATÓRIO OFICINA 8 – TP4 Unidades 15 e 16

“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”
(Fernando Pessoa)

No dia 27 de junho, nos reunimos novamente para realizarmos a oitava oficina do gestar no município de Itacarambi, que teve como objetivo desenvolver uma sequência de aula utilizando elementos do processo de produção textual. Esse encontro foi de fundamental importância para nós, por tratar de temas tão relevantes na prática do professor de Língua Portuguesa.

UNIDADE 15
Seção 1: Por que e para que perguntar
Seção 2 : Como chegar à estrutura do texto?
Seção 3: Quando queremos aprender

UNIDADE 16
Seção 1: A produção textual – crenças, teorias e fazeres
Seção 2: O ensino da escrita como prática comuncativa
Seção 3: A escrita e seu desenvolvimento comunicativo

Inicialmente, fizemos um momento de reflexão por meio de uma mensagem de autoconfiança para que pudéssemos nos fortalecer e criar um ambiente de harmonia entre os cursistas. Logo após, abrimos as discussões sobre o conteúdo tratado na unidade, verificando as dúvidas e críticas dos professores em relação ao conteúdo e à aplicação das propostas feitas.

Tratamos da seção “Por que e para que perguntar”. Pedi aos professores que se manifestassem sobre este questionamento. Foram inúmeros os pontos levantados, tais como: para identificar o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema abordado no texto; para instigar os alunos a perceberem as informações explícitas e implícitas do texto; para trabalhar a intertextualidade e a inferência de um texto em outro; para ajudar o aluno a chegar a uma compreensão global do texto. Nesse ponto, ressaltei que é fundamental que o professor promova as peguntas dos alunos sobre o texto.

Apresentei uma sugestão por meio da pausa protocolada, um bom recurso para levantar hipóteses sobre o texto. Essa reflexão fez com que percebêssemos que boa parte dos nossos alunos têm dificuldades e não estão habituados a elaborar perguntas durante as aulas, por isso é uma carência que precisa ser intensamente trabalhada.

Debatemos sobre o texto ampliando nossas referências que, por sinal, é muito polêmico a começar pelo título “Por que meu aluno não lê?”. Sempre que essa pergunta é proferida, as respostas mais esperadas vêm sempre relacionadas com questões culturais, econômicas e sociais. Ressaltei o fato de a autora inicialmente informar que não iria tratar desssas questões, com o que concordamos plenamente, embora tenhamos convicção de que são aspectos pertinentes à formação de leitores, mas se ficarmos batendo nessa tecla não chegaremos a lugar algum e, em vez disso, torna-se mais produtivo discutirmos sobre “O que estamos fazendo para que nossos alunos leiam mais?”. Os professores levantaram muitos pontos, evidenciaram suas dificuldades. Então, apresentei aos cursistas a seguinte reflexão de Paulo Freire - “A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que pode ser feito. Mas, se eu não fizer hoje o que não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer.”

Para ilustrar melhor os aspectos relacionados ao papel do professor na formação de leitor, apresentei alguns slaides baseados no livro “Estratégias de Leitura”, de Isabel Solé, indicado na leitura sugerida. Realizei uma explanação teórica e dialogada ressaltando as estratégias básicas que devem ser utilizadas por todo professor que pretende de fato formar alunos leitores críticos e que isso não fique só no papel, mas incorporadas em nossas práticas cotidianas de sala de aula. Fizemos então uma reflexão sobre “Como chegar à estrutura de um texto?” e as estratégias necessárias para compreender bem um texto. Também discutimos enfaticamente sobre a seção “Quando queremos aprender”. Evidenciamos que é necessário, primeiramente, esclarecer o objetivo da leitura e ensinar os alunos a questionarem sempre: - Vou aprender com que finalidade? São questionamentos que devem ser feitos para os alunos e trabalhados pelos professores.

Percebi que alguns professores ainda não incorporaram em suas práticas momentos para que os alunos refletissem sobre os objetivos e as várias finalidades de leitura, pois aprender a ler significa encontrar sentido e interesse na leitura. Aprender a ler requer que se ensine a ler. Para se ensinar a ler de forma eficiente é preciso que se questione Para que vou ler? Ler para obter uma informação, ler para seguir instruções, ler para aprender, ler por prazer, ler para comunicar, ler para verificar o que se aprendeu. Se o professor deixar claro o objetivo das diversas práticas da leitura, certamente terá possibilidade de desenvolver um bom trabalho.

Apresentei também os slaides “Uma conversa sobre a produção escrita na escola” e debatemos muito sobre as estratégias que possam auxiliar o aluno a desenvolver sua competência em produção textual, especialmente sobre a competência do professor. Apresentei também algumas sugestões sobre produções textuais.

Na segunda parte, abri o espaço para que os professores fizessem as explanações sobre o Avançando na Prática, contemplando desde o planejamento da atividade até a avaliação. Somente dois professores aplicaram a atividade, outros iniciaram e não conseguiram concluir, e outros nem iniciaram. Até então isso não havia ocorrido, mas os professores alegaram que devido ao feriado de São João aqui no município e em função das programações ocorridas na escola, a realização das festas juninas, que são festas tradicionais culturais bastante comemoradas aqui na cidade. Propus então que reprogramassem e que, durante a semana subesequente, aplicassem as atividades, pois são atividades riquissímas que obviamente irão proprocionar ao aluno avanço na proficiência de leitura e escrita, que é nosso foco e sempre será, pois todas as questões estudadas ao longo do GESTAR nos levarão a esse objetivo.

Apresentei também um texto complementar “A leitura em sala de aula”, de Dilema Delmanto, que levanta alguns questionamentos que reforçam os assuntos tratados nas unidades da TP. A escola precisa se preocupar cada vez mais com a formação de leitores. Mas, com que espécie de leitores? Que sejam capazes de mobilizar que tipos de procedimentos e habilidades? Que atividades devem ser selecionadas para que os alunos desenvolvam as capacidades envolvidas no ato de ler? Debatemos e refletimos sobre esses questionamentos.

Na terceira parte, os cursistas desenvolveram a atividade prática e planejaram a aula conforme orientações da TP4, página 220. Cada grupo expôs seus planejamentos e abrimos várias discussões sobre diversidade cultural. Foi um momento produtivo, pois surgiram muitas ideias e vários enfoques sobre a mesma atividade. Os professores se sentiram motivados a utilizarem o planejamento na sala de aula. Especialmente, discutimos sobre a nossa realidade, a falta de perspectiva de nosso alunos. Ressaltei que, enquanto educadores, temos que instigar nesses educandos a necessidade e o desejo de sonhar, de saber fazer escolha, almejar uma profissão e, como nos orienta Augusto Cury, nós professores devemos ser vendedores de sonhos e levar os educandos a refletir sobre valores perante a vida.

Professores Cursistas realizando atividades

 
Posted by Picasa

segunda-feira, 15 de junho de 2009

RELATÓRIO DA OFICINA 7 TP4 - LEITURA E PROCESSOS DE ESCRITA

RELATÓRIO DA OFICINA 7
TP4 - UNIDADES 13 E 14
Data: 13.06.2009


LEITURA E PROCESSOS DE ESCRITA

Inicialmente, relatei algumas considerações pertinentes ao empenho e compromisso de cada professor para garantir a qualidade do programa como atualização dos registros e organização do portifólio. Reforcei sobre a necessidade de fazer o estudo da TP, resolver as atividades propostas, não deixar que se acumulem para que não se percam e se sintam desestimulados.

Trabalho com 23 professores cursistas, porém percebo que alguns ainda não demonstraram o comprometimento que o GESTAR requer. Devolvi os portifólios com as considerações para que os professores analisassem e redirecionassem os pontos divergentes. Todos concordaram prontamente e aqueles que ainda não correspoderam se prontificaram a ter uma mudança de postura, o que me deixou mais animada para a continuação do trabalho.
Após este momento, iniciamos nossas dicussões e apresentei um vídeo com o tema “Ler Devia Ser Proibido”, baseado no texto de Guiomar de Grammon, que foi nossa janela para abrir o leque das discussões sobre o tema “leitura,escrita e cultura”. Fui levada a usar esse vídeo por estabelecer ele um paradoxo entre o texto e as imagens apresentadas, nas quais as grandes tansformações da humanidade ocorreram por meio de mentes instigadas pela capacidade de ler o mundo e o seu entorno e interfeir nele. Esse vídeo retrata bem a real situação de uma grande parcela dos estudantes brasileiros, o que nos faz concluir que ler já não precisa ser proibido. Já é habilidade facultativa, isso se comprova se depararmos com o número alarmante de analfabetos funcionais, ao não letramento.
A patir daí, iniciamos uma intensa discussão sobre o processo de letramento e a necessidade de desenvolver habilidades que tornem nossos alunos proficientes em leitura, especialmente na capacidade para atuar autonomamente na sociedade, que isso realmente deixe de ser uma utopia, que saia do papel e se torne presente em nossas ações em sala de aula. Sabemos que é por meio do letramento que se desenvolvem pessoas críticas e atuantes no meio em que vivem, como podemos exemplificar com este trecho do texto apresentado no vídeo:
- “Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam, se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.”

Passamos então a refletir sobre os usos e as funções da escrita nas práticas diárias. Cada cursita comentou sobre as atividades das seções. Foi um momento para discutirmos o tempo gasto e o usos permanentes da escrita em nossas atividades diárias, a quantidade de palavras usadas e o grau de formalidade necessário nas diversas situações de uso.

Distribuí alguns questionamentos para que os professores debastessem em grupo e depois socializassem:

1. Como você define letramento? Qual a relação que você estabelece entre letramento, alfabetização e escolaridade?
2. Como podemos relacionar letramento com as práticas de cultura local?
3. Somos todos letrados nesta sala? Vivemos em um país letrado?
4. Em sua sala de aula, que objetivos de leitura você trabalha preferencialmente e que material usa em cada caso?
5. De que modo o conhecimento prévio interfere na atividade de leitura e escrita?
6. O que você consideraria uma leitura ativa?
7. Onde está o significado do texto?
8. Você pratica letramento? Qual deve ser o papel do professor que trabalha na perspectiva do letramento?

Durante as dicussões, ressaltamos os depoimentos e as biografias de Patativa do Assaré e de Paulo Freire. Percebemos o quanto podemos abstrair dessa leitura de mundo e como é fundamental imbuir em nosso alunos a importância funcional da escrita e da leitura do nosso entorno. Enfatizamos a diversidade cultural, a valorização do conhecimento prévio, discutimos o "Ampliando nossas referências". Essas leituras e discussões nos fizeram confirmar sobre a importância dos textos e o conhecimento de suas funções para que o aluno desenvolva a tão esperada habilidade de tornar-se proficiente em leitura e escrita, ser capaz de ler o mundo e inserir-se nele.

Apresentei slaides sobre letramento e fiz uma explanação teórica abordando os seguintes pontos:

Letramento - você pratica?
Diferenciando letramento de alfabetização.
Um pouco de história.
O papel do professor-letrador.

Apresentei também um vídeo com o poema “O QUE É LETRAMENTO?” de Magda Soares, para que percebessem claramente o verdadeiro sentido do letramento.

Iniciamos então o segundo momento exposição dos relatos Lição de Casa e o Avançando na Prática, recolhi os registros e abri o espaço para os relatos. Foi o momento mais importante, porque os professores relataram o processo de seleção do Avaçando na Prática, respeitando algumas particularidades de cada sala e tomando o cuidado de amarrar com as atividades realizadas anteriormente de modo a garantir a sequência didática e a linearidade necessária para garantir que o aluno avance no seu aprendizado.

Como professora formadora, também desenvolvo as atividades e ao trabalhar a Seção 1 sobre letramento, o Avançando na Prática da página 31, senti-me extremamente motivada e com entusiasmo diante do desafio de colher informações sobre o ambiente letrado (da casa, escola, ruas, igrejas). Foi um trabalho maravilhoso. Os alunos fotografaram as fachadas, muros, colheram textos que circulam no comércio local, confeccionaram cartazes e relataram sobre as diferentes funções da leitura e da escrita. O desenvolvimento deste trabalho me fez fortalecer as crenças de que a educação ainda tem cura, basta usarmos o remédio certo na hora certa. Apresentei para os alunos imagens de pessoas lendo em diversos lugares e com objetivos específicos e depois solicitei que também colhessem em jornais e revistas imagens com pessoas lendo. Eles adoraram realizar essa tarefa e o fizeram com estusiamo, identificaram os diversos objetivos, confecionaram um painel visualizando as mais variadas situações de leitura.

A professora cursista Cássia desenvolveu um trabalho muito interessante sobre o processo inferencial da leitura. A professora Érica desenvolveu um trabalho enfatizando a cultura local - Festas Juninas, bem presente em nossa comunidade. Aproveitando a proximidade da data, os alunos demonstraram o conhecimento prévio sobre o tema e desenvolveram pesquisas, entrevistas, reportagens e confeccionaram convites. A professora Juliana realizou o Avançando na Prática da página 50 em uma turma do 6º ano, relatando ter ficado frustada, porque solicitou aos alunos que produzissem os convites para a Festa Junina a ser realizada na escola. Os convites foram produzidos mas, no momento em que propôs o uso real dos convites produzidos pelos próprios alunos a escola se recusou a usá-los. Nem sequer discutiu a sua reelaboração, nem houve um elogio aos alunos e nem uma justificativa cabível de modo a não causar frustação e sim estimular os alunos. Diante disso, fica a pergunta: - Queremos formar de fato alunos autônomos? Estamos dando oportunidades para que nossos alunos desenvolvam a escrita em sitações reais de uso da escrita?

Como disse Rubem Alves, a maior decepção da vida dele foi ter visitado uma escola em que havia lindos cartazes, belos cenários, tudo perfeito para dar iníco a um evento. Quando se aproximou dos alunos, todos comportadíssimos e as professoras orgulhosas, perguntou aos alunos se tinham sido eles que haviam confeccionado aqueles cartazes e eles em coro respoderam: - Não, foi a professora.

Em visita a outra escola, em que os cartazes não eram tão perfeitos, os alunos conversavam, debatiam, então ele perguntou aos alunos quem eram os autores daqueles trabalhos e responderam que foram eles próprios. Disse ele: - Esta é a escola com que sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir.

Essa é a Escola da Ponte, em Portugal, uma escola que encoraja o voo dos pássaros como reafirma Rubem Alves em seu texto ¨Gaiolas e Asas”: - Há escolas que são gaiolas para que os pássaros desaprendam a arte do voo.

O professor João Andrade desenvolveu um trabalho interessante da AA4, aula 1, uma estória curiosa, “Uriri e Bertolina”, apresentando textos dos alunos com a reescrita da história, com versões bastante interessantes. Essa atividade permitiu uma reflexão sobre o vocalulário e as variações linguísticas.

A professora Conceição também propôs uma pesquisa sobre as festas tradicionais, na qual pudemos ver a relação do letramento com as práticas de cultura local e como isso é importante para proprocionar a valorização das crenças e o repeito à diversidade cultural. A professora Eliene realizou um trabalho interdisciplicar com o professor de Ciências com bulas de remédio. Enfim, são muitos professores e todos contribuiram ricamente para o processo de leitura e processos de escrita de forma expressiva.

Diante desses e de outros relatos, percebi que a falta de apoio ainda é um problema expressivo para os professores dentro das próprias escolas. Torna-se necessário infomar à Secretaria Municipal de Educação para realizar uma reunião com supervisores e diretores a fim de debatermos sobre a importância dessa parceria e desse apoio tão necessário para que o trabalho se efetue de uma forma a focar que só há progresso na educação quando há parceria e comprometimento de todos. Fica envidente a necesidade de se discutir letramento, formação de cidadão crítico, porque, enquanto houver pessoas dentro do processo agindo contrariamente às propostas educacionais eficientes, temos pouco a fazer. Trabalhar em prol da melhoria da educação é tarefa de todos os envolvidos e não um capricho pessoal.

Em outro momento da oficina, realizamos a atividade com o poema “Cidadezinha Qualquer”, de Carlos Drummond de Andrade e apresentei um vídeo com um clip do poema, outro com uma encenação e outro com uma declamação. Os professores sentiram-se motivados a desenvolver as atividades. Dividi-os em quatro grupos (6º, 7º, 8º e 9º anos) e cada grupo elaborou e apresentou uma proposta de atividade para cada série específica. Foi um momento significativo em que as professoras Luciene e Fátima puderam expor a experiência com o trabalho realizado com base no poema.

Houve também questionamento sobre o fato haver muitos eventos na escola, e muitas vezes acabam atropelando o planejamento do professor. Muitos desses eventos são impostos e, na prática, não visam resolver uma situação problema detectada na sala de aula. Precisamos discutir, porque isso poderá dificultar o desenvolvimento dos projetos já elaborados pelos professores com base na proposta do GESTAR II para serem desenvolvidos nos próximos meses. Creio que será uma grande barreira, pois há uma conscientização quanto ao entendimento de que o trabalho precisa partir de uma necessidade do aluno e que projetos em grandes proporções podem não alcançar o objetivo esperado e podem tomar o tempo de trabalhar de perto as dificuldades dos alunos.

O Município de Itacarambi, por meio da Secretaria de Educação, tem se empenhado ao máximo para o bom andamento do GESTAR, possibilitando as cópias das AAS para os professores. É evidente que muita coisa já foi acertada, mas ainda há outras a serem ajustadas. Assim, esperamos que essas acões positivas reflitam na prática do professor em sua sala de aula, e que ele não se sinta sozinho, porque a caminhada é árdua e difícil, mas que este esforço se torne visível para a melhoria da aprendizagem desses alunos. Eles são a razão de tudo isso.

Concluo que as teorias bem pautadas têm possibilitado aos professores elaborar e executar bem as aulas e acredito que estamos no caminho certo. As sementes estão sendo plantadas, mas precisamos regá-las para que germinem em um ambiente favorável. Nossas vozes precisam ser ouvidas com mais seriedade, pois não podemos ficar falando ao acaso. Nossas palavras, desabafos, angústias não podem ser jogadas ao vento.



Edinília Nascimento Cruz – Professora formadora do Município de Itacarambi

Alunos expondo pesquisas sobre letramento e diversidade cultural

 
Posted by Picasa

Alunos expondo trabalhos sobre letramento

 
Posted by Picasa

Professora Edinília na Oficina

 
Posted by Picasa

Professores expondo trabalhos realizados pelos alunos

 
Posted by Picasa

quinta-feira, 4 de junho de 2009

GESTAR II NO MUNICÍPIO DE ITACARAMBI A TODO VAPOR

RELATÓRIO - OFICINAS
Oficina 6 TP 3 e 1 Oficina livre - 8 horas
GESTAR II NO MUNICÍPIO DE ITACARAMBI A TODO VAPOR

No dia 23.05.2009, realizamos mais 2 Oficinas do GESTAR II no Município de Itacarambi. Foi o nosso 3º encontro e nossas 4ª e 5ª Oficinas. O encontro foi um sucesso. Os professores estão bem entusiasmados e comprometidos, o que tem possibilitado realizar um trabalho de qualidade. As Oficinas foram bastante interativas e os professores cursistas relataram suas práticas de sala de aula com entusiasmo. Foram momentos ricos, fizemos muitas reflexões acerca do ensino e da aprendizagem da língua na perspectiva sociointeracionista. Momentos de calorosas discussões! Foi ressaltado o cuidado no momento da escolha da atividade adequada, considerando o nível da turma e o planejamento necessário. Os professores cursistas também foram orientados a trabalhar com as produções textuais sempre na perspectiva da reelaboração, garantindo o crescimento progressivo do aluno e o sucesso do trabalho.
Alguns professores questionaram o pouco tempo de 15 dias, de uma Oficina para outra, para aplicar um Avançando na Prática de forma significativa dentro de uma sequência didática. Acredito que parte desse problema esteja relacioado à falta de habilidade para redirecionar a prática. Alguns demonstraram ansiedade para esgotar o conteúdo. Em função destes questionamentos, abri um espaço para trabalhar a necessidade de o professor planejar sua prática e transformar as atividades de leitura e escrita em um processo contínuo que não se esgota. Há professores que ainda não entenderam que a linguagem é parte integrante da vida, portanto, um instrumento indispensável, primordial de nossas aulas. Se não for assim, nada terá sentido. Estou convicta de que este problema será solucionado e não será motivo para desânimo. A caminhada é longa, muitos serão os desafios e o importante é que já iniciamos a caminhada e vontade de prosseguir não nos falta.
No segundo momento, foi realizada uma Oficina específica sobre o projeto pedagógico. Cada professor expôs oralmente sobre o projeto elaborado, partindo sempre de uma situação problema. Foi um momento ímpar, uma vez que os projetos apresentados eram enriquecidos com as sugestões dos outros professores e pudemos trocar experiências e muitos tiveram a oportunidade de redirecionar a proposta de trabalho, possibilitando-lhes atingir um resultado mais satisfatório.

domingo, 17 de maio de 2009

Posted by Picasa
Posted by Picasa

RELATÓRIO II OFICINA 5


RELATÓRIO II OFICINA 5

Linguagem , Criação e Interação


No dia 9 de maio realizamos a oficina 5 e foi nosso segundo encontro e nossa terceira oficina. Fizemos uma dinâmica de reflexão por meio da música “A Onda” - “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia” - de modo que os professores puderam refletir e expor os avanços alcançados por meio dos estudos da teoria. Realizamos uma síntese dos assuntos abordados nas unidades 9 e 10 da TP3. Muitos professores apresentaram dúvidas sobre alguns conhecimentos teóricos dos gêneros e principalmente de como trabalhar as atividades da AA. Houve um momento para esclarecer todas as dúvidas e tecer algumas considerações.

Os professores entregaram as pastas (portfólios) e cada um expôs sobre o memorial de vida acadêmica e o memorial de leitura que haviam sido solicitados no encontro anterior. Este momento foi importante para que os professores refletissem sobre suas próprias vidas e superassem traumas do tempo em que eram alunos, de modo que pudessem rever algumas práticas e levantar alguns questionamentos como: - Que concepção de ensino de língua apresento? Meu aluno está aprendendo? Em que posso melhorar?

Após esse momento, partimos para os relatos de experiência. Este momento me emocionou e me surpreendeu muito. Os relatos foram ricos e alguns se sentiram bem a vontade para expor, outros porém ainda tímidos, mas, no decorrer da oficina, conseguiram se soltar. Foi contagiante e houve troca expressiva de experiências.

Percebi que os professores que trabalham na zona rural se sentem desestimulados e enfrentam problemas de diversas naturezas especialmente a falta de pespectiva dos alunos, a falta de motivação, mas, segundo seus relatos, as atividades diferenciadas os deixaram bastante animados. Ficou bem evidente a diversidade do desenvolvimento das atividades propostas em realidades distintas.

Alguns professores preocuparam-se em apresentar somente os melhores trabalhos, melhores tesxtos o que tornou necessário ressaltar que é especialmente por meio dos que não tiveram muito sucesso que inicia efetivamente o trabalho de reescrita e de reelaboração, um momento pimordial para construção e aprimoramento da prática. A partir de então, passaram a ressaltar os pontos negativos, as reações adversas e professores que haviam vivenciado situações parecidas inteferiram dando sugestões positivas para o progresso daqueles que não tiveram tanto sucesso.

Por meio dessas duas unidades, os professores trabalharam com a diversidade de gêneros que circulam no nosso meio. Os alunos realizaram entrevistas, produziram biografias, classificados poéticos, anúncios classificados, livrinhos de literatura de cordel e as atividades variaram do conhecimento intuitivo dos gêneros até uma abordagem sistematizada. As turmas variaram do 6º ao 9º ano, de modo que houve atividades realiziadas em todas elas. O ponto mais emocionante foi o relato de um professor que trabalha com uma turma de alunos extremamente indisciplinados e disse ter encontrado forte resistência dos alunos com relação à literatura de cordel. Ao apresentar o tema reagiram negativamente. Após o porfessor ter feito um momento de sensiblização e proprocionado aos alunos a leitura de alguns livretos de literatura de cordel, tomaram tanto gosto que se entusiasmaram e escreveram textos espetaculares. Por meio da literatura de cordel esses alunos expuseram suas angústias, derrotas e desejos. Foi um desabafo de forma literária sobre a vida dura que levam e os sonhso que têm. O ponto negativo foi o fato de alguns professores ficarem presos ao Avançando na Prática e não utilizaram efetivamente as atividades da AAA, até por encontrarem dificuldade para reproduzir o material. Houve uma interferência e um redirecionamento para que isso não se repita nas próximas oficinas.

Os professores realizaram a proposta de atividade de forma interativa e produtivamente, planejaram as atividades propostas e sugeriram outras. Foi um momento lúdico e produtivo, houve uma encenação da música “Bom Dia” e a apresentação de propostas de atividades inovadoras. Após este momento, foi feita a avaliação do encontro e a reflexão sobre as unidades 10 e 11, que serão assuntos da próxima oficina que se realizará no dia 23 de maio.

Edinília Nascimento Cruz - Professora Formadora do Município de Itacarambi.












GESTAR II - Oficina Introdutória - Itacarambi-MG

Posted by Picasa

RELATÓRIO I - OFICINAS INTRODUTÓRIAS




Lenvantando Voo

Abrem-se os livros, abrem-se as mentes,
Abrem-se os horizontes, estraçalham-se as correntes...

No dia 24 de abril de 2009, finalmente demos início ao GESTAR II aqui no Município de Itacarambi. Realizamos as duas oficinas introdutórias no período de 8 horas. Iniciamos com a abertura oficial do curso com a participação da Coordenadora Pedagógica do GESTAR, dos Professores Formadores Língua Portuguesa e Matemática e dos e Cursistas. Os professores tomaram conhecimento sobre a finalidade e o funcionamento do programa e os fundamentos da proposta pedagógica do GESTAR e das ações integrantes.

Posteriormente, os professores foram divididos por disciplinas e dirigiram-se para as salas oficinas previamente preparadas para que fosse dado início aos trabalhos. Primeiramente foi realizado um momento de acolhida e reflexão, no qual os professores participantes puderam se apresentar, refletir, emocionar-se e expressar expectativas com relação ao GESTAR, um novo desafio que teriam pela frente.

Foi feita uma explanação sobre o Guia Geral, abordando a necessidade e a importância da formação continuada de professores. Foi apresentado o currículo do GESTAR de Língua Portuguesa, evidenciando o objetivo geral do programa, as especificidades do GESTAR, as competências esperadas dos professores ao final do programa, e sobre a organização da proposta pedagógica. Os professores fizeram questionamentos tendo sido um momento importante, pois muitos estavam apreensivos e no decorrer das explanações demonstraram mais tranquilidade.

Os professores receberam os quites com o material, quando tiveram o primeiro contato para conhecimento e análise. Neste momento foi explicada toda a dinâmica das oficinas, a metodologia do curso e o trabalho que cada um deve. Foi feito um esclarecimento detalhado de modo que todos compreendessem as necessidades das adequações curriculares e integração do GESTAR ao planejamento. Muitas foram às dúvidas e os questionamentos, mas por fim todos entenderam e demonstraram entusiasmo.

Na segunda oficina introdutória no período da tarde, fizemos uma reflexão sobre o texto de Rubem Alves “Gaiolas e Asas” e foi um momento riquíssimo para refletir e repensar a prática de sala de aula. Muitas vezes preocupados em cumprir o que está no programa, nem sempre há tempo para o professor refletir se realmente tais conteúdos estão sendo úteis ou não para os alunos.

Após este momento, realizou-se explanação dialogada sobre gêneros textuais por meio de slaides. Os professores interagiram, tiraram dúvidas e compartilharam informações. A turma é composta de 23 professores cursistas e alguns estão bem avançados no discurso, outros, porém, estão iniciando agora, então tornou-se necessária a mediação para que as discussões atingissem a todos.

Na parte final da oficina, os professores foram informados sobre o projeto pedagógico a ser desenvolvido na sala de aula referência. Apresentada passo a passo a estrutura do projeto, foi solicitado que cada professor fizesse o diagnóstico da turma para identificar uma situação problema para que a partir daí pudessem elaborar o projeto. Também foi explicado sobre o portfólio que cada um deveria montar como parte da avaliação do programa e solicitado o memorial de vida acadêmica e o memorial de leitura para que fizessem parte da composição do portfólio, além dos relatórios reflexivos da prática de sala de aula.

Por fim, a oficina foi finalizada com a mensagem “Seja Brilhante”, que leva a refletir sobre a capacidade de que todo ser humano é capaz de melhorar a cada dia. Realizou-se também um momento de avaliação do encontro e todos demonstraram otimismos e boia disposição, tendo sido um momento contagiante e motivador, apesar de ser num sábado após uma semana de trabalho e muitos estarem cansados, mas a vontade e o desejo de tentar fazer algo diferente foi maior. A satisfação ficou evidente no semblante de cada professor.

Edinília Nascimento Cruz - Professora Formadora do Município de Itacarambi.


terça-feira, 21 de abril de 2009

MEMORIAL DE LEITURA: REPENSANDO EXPERIÊNCIAS



MEMORIAL DE LEITURA: REPENSANDO EXPERIÊNCIAS

Memorial apresentado à professora Tamar Rabelo – Programa (GESTAR II) Gestão da Aprendizagem Escolar

No espelho da vida, o reflexo da alma

“Viver é seguir um fio de vida tramado com outros muitos fios simultâneos que se tornam ‘visíveis' nas ressonâncias e nos interstícios de cada trajetória.”
(KREMER. 2003, p.221).







A minha trajetória cultural e literária é uma constante ascendência. Primeiro porque sou uma leitora assídua e em minhas veias corre o sangue de uma pessoa que ama a literatura, segundo, porque estou preocupada em aumentar o nível cultural do ambiente em que vivo e, principalmente, em conduzir os meus alunos ao maravilhoso caminho da leitura.

Ler é dar sentido ao mundo, ler é estar no mundo, e desde que tive meu primeiro contato com os livros, adentrei-me no universo da leitura. É como uma viagem, com partidas e chegadas, embarques e desembarques, atropelos, sonhos, magias, encontros, desencontros, caminhos e descaminhos. Por meio deste Memorial farei novamente o percurso e abrirei passagem para que você também possa entrar na intimidade de minha intimidade com a leitura.

Sob o pôr-do-sol amarelado na retina de minha memória, guardo imagens do tempo em que, ainda criança, de uma minúscula janela de madeira no fundo da velha igreja onde funcionava a pequena escola em que fui alfabetizada, contemplava mulheres de pés descalços, com latas d’água na cabeça e com olhos de desencanto nos estreitos caminhos que percorriam. Em meio aos meus pensamentos, desejava, no íntimo do meu ser, não me tornar tão infeliz quanto elas.

Meu pai sempre foi ausente e quem me acompanhou em minha vida escolar foi minha mãe que dava o duro de sol a sol para nos oferecer uma vida digna. Ela nos falava: “- A escola é o caminho mais curto para quem quer ter sucesso na vida.” Era perceptível o seu desejo de nos ver encaminhados na vida, por isso sua mais nobre missão era fazer com que todos freqüentassem a escola. E sempre repetia: “- Se não quiser ter uma vida dura como a minha, precisa estudar muito.” Essa voz me acompanhou durante um longo período de minha vida.

Com os olhos voltados para aquelas mulheres, deparei com a professora batendo uma enorme régua de madeira em minha carteira, quase berrando, me dizendo que a aula não era lá fora. Como castigo porque estava distraída, deu-me um livro para que eu lesse. Todos na classe riram e fizeram piadinhas, porque era uma missão muito difícil. Ler naquela escola era o maior castigo que um aluno poderia receber. Se não conseguisse, ficaria sem recreio uma semana. Não me importei, a aula era chata, o recreio era chato, a professora era chata, tudo era chato, estava cansada de tanto tédio, já não suportava mais. Livros eram preciosidades e quem podia manuseá-los eram somente as professoras, não existia biblioteca, ficavam em caixotes de madeira, por isso cheiravam a mofo.

A professora estendeu o braço com um livro na mão. Lancei um tímido olhar para livro e logo percebi que era velho e amarelado, sem capa e cheio de orelhas. Mesmo assim fiquei alegre, pois nunca havia tido a oportunidade de pegar um livro, manuseá-lo. Sempre era a professora que lia para nós. Não tive medo de não dar conta, nem me importei. A professora era severa, brava e não disse muitas palavras, apenas que era para ler o livro.

Naquele momento, meus olhos se fixaram naquelas páginas e a leitura fluía naturalmente era um livro de Contos de Fadas, e num instante já estava envolvida com as cores dos sonhos da fantasia. Tudo se tornou mágico e encantado. Saboreava cada palavra, que misturava ao mundo em fórmulas e cores, perdi-me nos limites dos meus desejos e prazeres.

Cada ser está marcado no fundo de seu eu, e ali construí o meu mundo, avistei o invisível. No entanto, lá fora o mundo continuava medonho, mas sabia que agora eu tinha meu passaporte e poderia viajar sempre que quisesse. Podia olhar para aquelas mulheres em meio a poeira e imaginá-las dançando no casamento de Cinderela. Bastava pegar o livro e deixar a imaginação me levar. Pela primeira vez me senti gente dentro do mundo e o mundo dentro de mim. Ler era como ouvir o vento, quando tudo se torna possível, e até hoje vivo a transpor mundos e superar barreiras.

Por ter me acontecido isso, e carregar esta experiência de vida, tirando a parte da imposição e do castigo, sempre acreditei que o melhor caminho para despertar o gosto pela leitura é por meio dos Contos de Fadas. Defendo essa tese. Tornei-me uma estudiosa sobre o assunto.

Abrem-se os livros, abrem-se as mentes, abrem-se os horizontes e foi assim que prossegui na trajetória. Sempre vivi em ambientes escassos de livros. Na adolescência, estudei em escolas precárias, e tive professores que tentavam a qualquer custo matar meu gosto e prazer pela leitura. Durante o Ensino Fundamental não tenho lembranças de nenhuma professora que tenha estimulado a leitura. Guardo traumas profundos de práticas pedagógicas que quero apagar definitivamente de minha memória literária.

Porém, não me deixei cegar pela pálida luz do não saber, do não conhecer, pois meus sonhos seguiam distantes. Havia um mundo para ser lido, era um campo tão fecundo e havia uma infinidade de livros para serem lidos, degustados e saboreados.

Quando li o livro Alice no País das Maravilhas, de Levis Carroll - quanta imaginação - senti-me a própria Alice, já que assim como ela vivia entediada da vida. Vi esse livro na casa de uma amiga e lhe pedi emprestado para ler. O livro vivia de mão em mão, ninguém havia lido. Fui para casa, tranquei-me no quarto, abri o livro e penetrei no mundo das palavras, tive uma decepção: em vez de ter uma recepção calorosa, as palavras estavam mudas, como no dicionário. Havia um bom tempo que não lia. Não tive uma boa recepção, era desprezo total. Mesmo assim, não desisti, li e não entendi nada, reli, precisava me adentrar no mundo de Alice. Queria fugir, tinha medo de não conseguir mais, havia tempo que não lia... Mas quando estava quase desistindo, Alice me chamou. Ela estava lá com a chave na mão e me convidou para entrar. Foi uma viagem fantástica e quando retornei à realidade o mundo estava menos cinzento.

Depois que Alice abriu essa porta, muitas outras se abriram. Meu Pé de Laranja Lima, O Pequeno Príncipe, A Ilha do Tesouro, Um Lugar ao Sol e muitos e muitos outros. Continuei a fazer o percurso, descortinei horizontes. Há sempre algo novo para ser apreciado. Ler é incorporar significados, transformar-se, alçar vôos cada vez mais altos, no entanto, é também o desafio de entender e conhecer a nós mesmos e o nosso entorno.

Cheguei à fase adulta e é lamentável dizer que, durante o período em que cursei o Ensino Médio, por mais que vasculho minha mente, não consigo encontrar nenhum registro de um professor por quem pude nutrir afeto ou admiração, com todo o respeito que a profissão exige. Não estou sendo pessimista. Infelizmente só há resquícios de velhas práticas, de professores autoritários que não viam o aluno como um ser dotado de sentimentos. A leitura de livros nesse período, o fiz por iniciativa própria. Costumava freqüentar a biblioteca da escola, mas não podia levar o livro para ler em casa, era um local apertado e a bibliotecária era uma senhora que estava há 30 anos na prática do magistério e sem função aguardava a aposentadoria, então, colocaram-na ali. Era amarga e infeliz, sentia-se incomodada quando um aluno ia até a biblioteca. Ficava ali olhando por cima de suas grossas e embaçadas lentes. Ah, como seu mundo era limitado. Neste período, eu costumava ler Graciliano Ramos e Castro Alves, Machado de Assis e Drummond: tornaram-se meus autores prediletos, também não havia muita opção. A biblioteca era muito limitada.

Não havia nada que eu pudesse odiar mais que as aulas de Língua Portuguesa e Geografia, pois as professoras repetiam o mesmo ritual o ano inteiro. Na aula de Geografia, a professora entreva na sala, sentava-se a uma mesa que ficava em um nível superior da sala, abria um velho livro e pedia que uma aluna escrevesse o texto na lousa. Não se dava nem o trabalho de ela mesma escrever. Todos copiavam em silêncio, os textos eram enormes e passava todas as aulas copiando, depois decorava para responder na prova.

Na disciplina de Português não era muito diferente. Em todas as aulas a professora pedia para fazer uma redação, com tema livre. Escrevíamos em silêncio, depois entregávamos para ela que devolvia no dia seguinte toda marcada de vermelho e, assim que saíamos da sala, embolávamos o papel e o jogávamos no lixo. Não me lembro de nunca ter compartilhado um momento de leitura com ela.

Entrei para Faculdade de Letras e continuei a viagem. A escolha se deu por falta de opção. Mas, com o tempo passei a gostar do curso. Cada momento era um convite a desvendar segredos, com tramas e tessituras: a vida pedia leituras. As pessoas são espelhos que refletem pelo seu conteúdo, pelo que já aprenderam a ver... Ah, livros!

Foi um momento fantástico em minha vida. Os professores eram maravilhosos, amavam a arte de ensinar. Tive uma professora de Literatura que falava com a alma. Ela me proporcionou um verdadeiro encontro com a Literatura. Em pouco tempo consegui superar traumas e suprir muito do que me havia faltado na formação secundária. Tornei-me uma leitora crítica, pois o ensino superior me possibilitou alçar vôos cada vez mais altos. Foi neste período que me vi nascer como educadora. Dediquei-me de corpo e alma, dei o máximo de mim, tinha sede do saber. As leituras que marcaram meu ensino superior foram os teóricos. Tive encontros inesquecíveis com Paulo Freire, Vygotsky e Piaget.

Nessa altura da viagem, a bagagem pode estar cheia, mas o conhecimento é tão leve, é como pluma. Na bagagem posso contar com Drummond, Castro Alves, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guilherme de Almeida, Dante Alighieri, William Shakespeare, Victor Hugo, José de Alencar, Nelson Rodrigues, Casimiro de Abreu, Poe, José Lins do Rego, Aníbal Machado, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Fernando Pessoa, Piaget, Paulo Freire, Edgar Morin, Camões, Platão, Vygotsky, Sócrates, Rubem Alves e tantos outros que têm lugar garantido dentro da mala.

Nesse trajeto, muitas coisas aconteceram. As sementes germinaram e as histórias brotaram. Abriram caminhos, fizeram ninho em minha imaginação. Os livros me ajudaram a ver o mundo em suas múltiplas linguagens. No universo mágico da Literatura, compreendemos a vida por meio das leituras. Tudo é mistério neste universo de leitor, e só assim pude viajar o mundo, tendo como passaporte os livros e uma fome imensa de leitura.

Nessa viagem, sentei-me ao lado de ilustres passageiros que me convidaram a experimentar a inusitada arte de escrever. O convite foi aceito, mas por onde começar? Logo encontrei a resposta: nada melhor que por meio da linguagem. Então iniciei um vasto trabalho de pesquisa investigativa sobre o processo de construção de linguagem ao longo de sua evolução. Este trabalho deu origem à minha monografia, realizada no curso de pós-graduação, que por fim originou o meu primeiro livro intitulado “A Linguagem Pictográfica nas Cavernas do Vale do Peruaçu” que evidencia relatar como essas pinturas, enquanto forma de linguagem, influenciaram na expressão comunicativa dos homens da pré-história, além de buscar compreender o processo pelo qual a linguagem se desenvolveu ao longo dos anos.

Foram tantos diálogos que alimentaram o meu espírito, muito além do que esperava e imaginava. Foram momentos incríveis que em mim despertaram bastante entusiasmo. A partir de então, sentei-me no banco da praça, abri a mala e retirei no fundo escondidinho meu velho sonho de infância e senti uma força e uma vontade intensa de praticar diálogos. Latejava em mim o desejo ansioso de falar. Mas não havia ninguém, a praça estava vazia, não encontrei ouvintes. Então, só me restava escrever.

Travei um intenso diálogo com a vida: os diálogos emanavam, não estavam presos, era minha necessidade de compartilhar. A viagem havia me presenteado com sonhos que se misturavam à realidade. Foi nesse momento que dei início ao projeto do meu segundo livro “Histórias Infantis e Formação de Leitores”, que busca compreender a influência e o valor das histórias infantis e sua relação com a formação de leitores. O livro também é um convite a meus leitores a beber na fonte da antiguidade clássica e desfrutar riquezas no universo da literatura.

Ler é um ato de amor, de envolvimento, de magia, de prazer e transformar tudo isso em ato mecânico, controlador, punitivo, pouco agradável e consequentemente pouco frutífero tem sido a prática de muitos educadores que têm a missão de formar leitores competentes e reflexivos. Isso me faz lembrar daquela professora que tive... Acho que não é difícil encontrar outras tantas iguais a ela por este vasto Brasil. Por meio dessa experiência negativa, tenho plena convicção de que é preciso discutir e rever as estratégias de leituras, especialmente nas séries iniciais, pois é nessa fase que a criança vai estabelecer interações afetivas e efetivas com a leitura e, a partir daí, tornar-se leitora para toda a vida, mas, se o processo ocorrer de forma contrária, a criança irá desenvolver resistência e horror à leitura.

Na plataforma da estação estavam meus alunos. A viagem agora necessita de se realizar em mão dupla. Como educadora, percebi que tinha um grande desafio: fazer com que eles também sentissem vontade de se alimentar de leituras. Só me restava uma coisa: partilhar o amor, as alegrias, as emoções para que juntos pudéssemos arquitetar formas possíveis, traçar percursos com fios de esperança, de sonhos, de compreensão, de fé e de transformação.

Foi dada a partida e, na solidão em que se impõe o conformismo, nascia a teia da vida: o fio era o rio, fios rubros, fios fortes, nascia então o livro “Nas Margens do Rio e do Papel”. Este livro registra emoções, sentimentos, vivências nas mais variadas formas de expressão e legitimidade de jovens e adolescentes que tiveram a oportunidade de viver e experimentar múltiplos diálogos com a vida e com a literatura por meio da leitura.

Foi um trabalho árduo, mas compensativo, o de possibilitar aos educandos uma melhor compreensão do mundo em que vivem e, consequentemente, refletir sobre suas condições de cidadão. Sabe-se que a capacidade de leitura, reflexão, domínio da linguagem e a apropriação da escrita são condições básicas para o pleno exercício da cidadania.

No mundo em que vivemos ainda é possível deslumbrar-nos com as histórias que encantam e nos contagiam, com as fantasias que às vezes se tornam realidade e quando vivenciadas tornam-se respostas a muitos mistérios, que cada um poderá interpretar de acordo com os seus anseios.

Entre uma aula e outra, um livro e outro, dos nós e entrenós que formam a vida, das experiências vividas, continuava viva e latente a vontade de escrever. Sentia as dores do parto, estava pronto para nascer meu novo livro - “Interlúdio” - que foi gerado com muita dor, suor e lágrimas nos pequenos intervalos de minha vida, entre corrigir uma prova, participar de uma reunião, preencher um diário.

Este livro, de caráter ficcional, marca uma nova etapa em minha vida em conseqüência de minhas experiências enquanto leitora. Foi gerado no momento que eu estava buscando compreender certas passagens que me levassem para além de mim. Por essa razão, a narrativa do livro contempla a possibilidade de o homem transitar entre o passado e o presente, colher no passado os fragmentos para construir o momento presente através do olhar perceptível da vida. Tudo se constrói a partir da leitura dos fatos pela memória, num jogo simbólico em que a realidade objetiva passa a ser produto da realidade subjetiva revelando aspectos de vidas em épocas passadas.

Definir-me como leitora no mundo de hoje é muito fácil. Ultimamente, tenho lido muito, de tudo um pouco. Leio na velocidade do tempo. Leio por obrigação, leio por puro prazer. Leio o mundo. Leio as pessoas. Leio criticamente, tenho buscado começo, meio e fim, finalidades para a existência tão simples e complexa ao mesmo tempo. Para escrever este Memorial, tive que ler a minha alma, recolher lembranças, medos e palavras que se misturam no livro dos meus dias, mas que me fazem nascer de novo a cada dia, a cada minuto. Tenho sede de tudo que me cerca. Tenho fome de olhar, tenho fome de falar... Quero continuar a ler e a escrever. E com minha câmara fechada no silêncio vou des(colorindo), color(indo), re(velando) contornos em minha vida. Quero o vício do vício de ler e escrever, quero multiviver, ler e reler.

Caminhos, flores, espinhos, via, vida, sombra, alma faminta de leitura, o viajar é contínuo, renovando o prazer de aprender, fazendo da leitura um hábito diário, enriquecendo o pensar, o sentir, divisando além das sombras que passam. Ainda há muito o que desvendar, ainda há muito o que ler.

Edinília Nascimento Cruz – Gestar II

Fotos GESTAR II - Encontro em Montes Claros




Posted by Picasa

Livro - Nas Margens do Rio e do Papel



O livro Nas Margens do Rio e do Papel registra emoções, sentimentos, vivências nas mais variadas formas de expressão e legitimidade dos alunos da Escola Estadual Professor Josefino Barbosa, em Itacarambi.

A essência deste trabalho é prioritariamente incentivar a leitura de obras literárias representativas, estimular a criatividade, a afetividade, a emoção, o espírito inventivo com a intenção de contribuir para formar uma nova geração de leitores, mais capazes e mais críticos. Procura também promover o desenvolvimento do gosto poético em análise e produção, valorizando textos literários produzidos pelos alunos do Ensino Médio e Fundamental.


Nas Margens do Rio e do Papel é o resultado de um grande desafio: o de possibilitar aos educandos uma melhor compreensão do mundo em que vivem e, consequentemente, refletir sobre sua condição de cidadão. Sabe-se que a capacidade de leitura, reflexão, domínio da linguagem e a apropriação da escrita são condições básicas para o pleno exercício da cidadania.

É preciso desnudar a dura realidade que nos cerca. É preciso ler e compreender a vida, apropriar-se das linguagens em suas diversas facetas e fazer dela um processo de compreensão mais crítico da realidade, de modo a tornar a vida um instrumento de integração, de desenvolvimento e de relações mais humanas, capazes de minorar as múltiplas formas de intolerância, injustiça e desamor que entristecem o ser humano a cada dia.

De posse dessa compreensão do mundo que se desnuda, os alunos perceberam que é preciso ir mais longe, porque são humanos, têm alma e necessitam sentir, vivenciar a alegria de ser gente, de viver a fantasia, a memória, a fé e a esperança.

Nas páginas deste livro podemos ver traduzida a memória do povo brasileiro que sofre, mas que também é persistente e sente o pulsar da vida, manifestado na vontade de lutar e amenizar essa dura realidade. Tudo isso se revela na sensibilidade desses jovens escritores e poetas que se propuseram fazer essa leitura compartilhada e, ao mesmo tempo, reveladora do momento introspectivo de cada um, mediante um diálogo íntimo e a liberdade de expressar e manifestar emoções.

Como educadores, percebemos a necessidade de intermediar e promover o encontro destes dois mundos: o ideal e o real. Mundos que se divergem e que se contraem, pois é tão pouco o que esses jovens precisam, mas é tudo o que lhes falta para torná-los mais solidários, mais participativos e mais felizes. A realidade dura com que muitos se deparam, muitas vezes, ofusca a capacidade de sonhar, de acreditar, de buscar novas oportunidades. O universo literário, muitas vezes tão distante, é uma porta aberta para promover este encontro e reacender esta luz que mantém acesa a chama da vida, pois assim há séculos vive o ser humano, tentando transformar utopia em vida, sonho em realidade.

Percebe-se que, assim como os adultos, esses jovens também estão sedentos de justiça, de paz, de respeito. A vida precisa ser valorizada, os excluídos precisam ser acolhidos, o egoísmo precisa ser destruído. É urgente, ainda que não iminente, construir um mundo em que os jovens não vivam só por viver, mas que a vida tenha sentido para eles, que realmente pratiquem a verdadeira cidadania, mesmo estando perdidos em meio à escuridão, pois não se quer viver de ilusão, mas buscando solução, dignidade, enfim, formando jovens mais conscientes, aptos a promover essa transformação.
Edinília Nascimento Cruz

Livro A Linguagem Pictográfica nas Cavernas do Vale do Peruaçu


O Vale do Peruaçu, entre os municípios de Januária e Itacarambi, é um cenário de esplêndida beleza, mistérios e encantamentos. No meio de tanta magia o homem primitivo debruçou-se para deixar suas marcas: pinturas rupestres que testemunham a pré-história e convidam a uma viagem no tempo, mostrando vestígios da presença humana há 12 mil anos.

Este livro é um estudo interpretativo dos painéis de arte rupestre das Cavernas do Peruaçu, estabelece a interação do ser humano através de uma leitura analítica dos conceitos, temas e figuras representativos ali existentes.

A linguagem através da arte nas pinturas e desenhos das paredes das cavernas é uma das mais antigas formas de comunicação humana. Essa arte é a mais eloqüente forma de expressão da alma e documenta a época em que foi concebida. A partir dela, o homem se organizou em sociedade e passou a viver em grupos, marcando seu ingresso na cultura.

As pinturas rupestres externam não apenas sentimentos individuais, mas também sentimentos coletivos, a vida social e a cultura de uma época, com seus costumes, crenças e filosofias. A inteligência, o discernimento e a emoção do ser humano fizeram da arte uma linguagem complementar e indispensável em todas as manifestações associativas.

Desta forma, o objetivo é traçar uma linha de desenvolvimento dos símbolos, especificamente da arte pré-histórica, linguagem simbólica registrada nas paredes das cavernas há milhares de anos, relacionando-as com outras formas de linguagem, buscando a compreensão de sua eficácia enquanto uma das formas de comunicação mais antigas e mais significativas no processo de linguagem não-verbal.


A autora

Cronograma das Oficinas - GESTAR II - Município de Itacarambi

CRONOGRAMA DO GESTAR – LÍNGUA PORTUGUESA
MUNICÍPIO DE ITACARAMBI



25.04.2009 - 02 OFICINAS - 08 HORAS
09.05.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
23.05.2009 - 02 OFICINAS - 08 HORAS
13.06.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
27.06.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
11.07.2009 - 02 OFICINAS - 08 HORAS
22.08.2009 - 02 OFICINAS - 08 HORAS
12.09.2009 - 02 OFICINAS -04 HORAS
19.09.2009 - 01 OFICINA 04 HORAS
26.09.2009 - 02 OFICINAS - 08 HORAS
10.10.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
24.10.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
07.11.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
21.11.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS
05.12.2009 - 01 OFICINA - 04 HORAS

Histórias Infantis e Formação de Leitores


O Livro Histórias Infantis e Formação de Leitores traz uma análise da maneira com que as narrativas infantis influenciaram e têm influenciado na formação de crianças.Tem como propósito auxiliar professores e pais na tarefa de incentivar a leitura e formar leitores, além de sugerir aos educadores formas para sensibilizar e propiciar na criança o prazer pela leitura e contribuir para a melhor qualidade de ensino.


Para compreender a influência e o valor das histórias infantis e sua relação com a formação de leitores, este livro propõe uma breve viagem pelo universo mágico das histórias infantis em que os leitores são convidados a beber nas fontes da antiguidade clássica, Idade Média chegando ao Renascimento.

Os leitores se transportam para o Brasil e desfrutam para desfrutar riquezas neste fantástico cenário da literatura e, por fim, fazer uma visita ao universo da leitura no contexto da sala de aula.

O livro surgiu movido por duas paixões: as histórias infantis e a leitura. As análises propostas nestas páginas partem da necessidade de se fazer um estudo sobre as narrativas infantis e, sobretudo, propor uma reflexão sobre a formação de leitores e o papel da leitura na vida do ser humano.

Consciente de que a leitura é o procedimento básico, indispensável à aprendizagem, e ler é uma prática básica essencial para aprender, torna-se necessário refletir sobre o tratamento dado à leitura, tanto no contexto escolar como social.